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Cartas pelo correio
Os mais jovens nem imaginam que prazer é receber uma missiva!
Senhor Carteiro,
Meu filho de dez meses mexe os dedos quando está perto do meu laptop, um bebê pronto para surfar na net. Minha filha, só de observar os movimentos dos meus dedos, descobriu a senha do meu iPhone na quarta tentativa. Na semana anterior, quando fui buscá-la na escola, ela perguntou seu endereço de e-mail. Tecnológicos em fraldas.
E enquanto eu mal podia imaginar como minha mãe era capaz de me deixar com uma babá antes dos celulares (imagine apenas uma lista de telefones de emergência fixada na geladeira) e que não posso viver sem minha Internet, geralmente fico frustrada com a tendência que a tecnologia tem de nos tornar cada vez mais indivíduos impacientes. A alegria de receber uma carta pelo correio é um prazer desconhecido pela maioria dos jovens.
Então hoje, depois de receber três ligações do mesmo número no meu celular no intervalo de sete minutos (enquanto eu estava no banheiro, nada menos), decidi voltar o relógio no tempo e fazer algo antigo com minha filha de três anos, que também está aprendendo a ser mais paciente. Quando ela chegou da escola, comecei a explicar o processo de se escrever uma carta. Não sei se ela entendeu, mas escrevemos cartas para algumas das suas pessoas favoritas e incluímos uma foto dela na escola. Ela também escreveu uma carta para ela mesma (pensei que seria uma boa ideia para ela realmente receber algo também). E então fomos para uma viagem até a agência dos correios local.
Depois que ela colocou, com orgulho, os selos nas cartas, perguntei ao funcionário quando aquelas pessoas tão queridas iriam receber a carta. “Normalmente leva uma semana para os Estados Unidos e dois dias para São Paulo. Mas desde que os Correios estão em greve, não podemos estimar um prazo”.
Ela não entendeu a resposta (greve?), mas calmamente acenou com a cabeça (enquanto eu ficada frustrada). Quando as cartas chegarão? Lições de paciência – para nós duas.
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