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Quando o bebê começa a chutar
Descubra qual a melhor posição para sentir os primeiros chutes
Eu estava com uns três meses de gravidez, na minha fase mais crítica de enjoo e cansaço. Minha mãe e grande companheira estava lá, ouvindo mais um de meus muitos resmungos. Lembro de dizer algo como: “É um absurdo a natureza fazer um negócio desses. Grávida tinha que no mínimo se sentir bem”. Ela ouviu e muito sabiamente – até porque acumula no currículo a experiência de quatro gestações – respondeu: “Você vai ver quando o bebê começar a chutar. A gente se dá conta que tem um ser ali dentro e passa a não dar mais bola para o que acontece com nosso corpo”.
Dizem que tudo começa a melhorar para a grávida depois do terceiro mês, mas para mim meu divisor de águas foi o quarto. Ele chegou e como num passe de mágica os enjoos passaram, o cansaço mortal foi embora e a barriga começou a ter um formato mais redondo (e não mais aquela barriga de churrascaria que me fazia ter um treco na frente do espelho). Sabia que estava grávida pelas roupas que começaram a não servir, mas me sentia tão bem e tão normal que me perguntava se de fato estava tudo ok lá dentro. Sim, estava, me garantiu a médica. Eu só não conseguia sentir ainda.
Até que uma noite, antes do banho, eu deitei na cama com a barriga pra cima e as pernas bem esticadas, como me aconselhou Fernanda Segantini, uma de minhas leitoras aqui na coluna e companheira de gravidez. “Fica deitada esticadinha, é uma ÓTIMA... principalmente depois de comer, eles dançam lá dentro!”, disse ela. Muito bem, lá estava eu, a postos e pronta para qualquer movimento. Mãos atentas, respiração baixa. E... POM! Algo se passou lá dentro. Será que foi um chute?, pensei com meus botões. Fiquei imaginando se não eram gazes, já que tinha acabado de comer. Antes de dormir repeti o procedimento – e senti de novo. E no dia seguinte de novo. E no outro também. E desde então, só consigo ficar tranquila depois de me certificar, com um leve chutinho, de que meu projetinho de gente está são e salvo ali dentro.
Minha mãe estava certa. E eu estava errada quando disse que era um “absurdo a natureza fazer um negócio desses”. A natureza espera até que o organismo da mãe se acostume com tamanha mudança para só então permitir que ela sinta que existe um bebê lá dentro. E quando tudo está mais calmo e claro, mãe e filho começam a se comunicar. É uma das coisas mais fofas que já aconteceu comigo até agora. ;)
Maria Beatriz (escolhemos o nome!) tem seus períodos quietinhos e seus rompantes de me chutar a todo vapor, geralmente à noite. Ela adora chutar o pai, principalmente quando ele dá beijinhos estralados na barriga (provavelmente ela reage ao som tão próximo da parede uterina, mas claro que eu falo pra ele que ela está devolvendo os beijinhos). Já chutou a mão da vovó e ainda está se fazendo de difícil com as tias Duda e Carô (tia Bibi está na Austrália, mas receberá seu chute quando chegar, mês que vem).
Continuo me sentindo um pneuzinho de caminhão, mas isso já não me incomoda mais. Olho pra minha barriga e sei que nosso bebê está ali - sensação que não sentia nos primeiros meses. Acho que é essa sensação que faz com que a gente passe a dar valor à beleza que é ter um filho. E faz com que a gente aceite com alegria e entusiasmo as mudanças que vieram e ainda virão pela frente.
Um beijo com carinho,
Sofia
P.S.: Se quiser contar como foi que sentiu o primeiro chute de seu bebê, sinta-se em casa! Beijo.
Sofia Benini
Sofia Benini, filha de Maria Paula e Nery e grávida de Maria Beatriz, é jornalista e autora do Blog da Sofia (oblogdasofia.wordpress.com), onde conta as delícias e os perrengues de ser uma "quase mãe". Ela começou sua carreira na Revista Pais e Filhos, e foi aqui que aprendeu muito sobre gravidez e cuidados com o bebê. Agora, à espera de seu primeiro filho, é hora de colocar toda a teoria em prática. Esta aventura ela divide com outras mães e grávidas na coluna e em seu blog.
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