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Luis Otávio

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Tarefas diferentes

Marcela Senise fala sobre os diferentes papeis na hora de alimentar os pequenos

Tarefas diferentes

Ser mãe não é uma tarefa simples. Ser professora também não é uma tarefa simples. Mas atenção: são duas tarefas completamente diferentes, mas que caminham juntas! Eu sou professora, como muitos de vocês sabem. Tenho, e sempre tive, um instinto materno, mas ainda não chegou a minha vez de trabalhar a tarefa mãe.

Onde quero chegar: venho reparando o quanto, infelizmente, certas mães acham que a escola/ professoras tem certas obrigações, que, na realidade, deveriam partir da educação dentro de casa e ser somente aprimoradas na escola.

Esta não é uma critica, mas sim uma triste constatação. Nós trabalhamos junto com os pais. Não somos os pais.

Sempre no meu campo da alimentação, tenho recebido inúmeros e-mails, por conta do blog, que muitas vezes me fazem tremer! Mães que se dizem desesperadas porque os filhos só comem biscoito e tomam leite aos cinco anos de idade. Criticam que, na escola, não incentivam a comer como se deve etc etc etc...

Amor de mãe a gente sabe que não se discute e não se contesta!  Porém, queridas mamães, nós professoras (não importa em qual parte do mundo) não somos a solução dos seus problemas! E muitas vezes estes problemas nem existem! Ou não são tão graves como vocês pensam.

Claro que tudo se conversa, debate, trocamos ideias, opiniões, e juntos tentamos resolver o que quer que seja que vocês acham que possa estar precisando de atenção.
Mas acho chocante que em 2012 ainda existam mamães que se apavoram com os filhos que não comem como devem!

Desculpe a minha sinceridade, mas... Tudo nasce em casa! E foi o que tive que responder, com muita delicadeza. Não foi fácil! Mas já que tanto insistiu, mandou cinco e-mails, acabou tendo que ouvir (ler) a minha opinião. Dei sugestões de como tentar entreter o filhote, oferecer prêmios educativos por comer o que lhe é posto no prato.

A coisa que mais me preocupou foi a frase: “ele diz que não come porque não gosta. Será que ele tem problemas em aceitar novos sabores?” Se, por acaso, ele não tiver o incentivo em casa, e se a criança não tem muita curiosidade, naturalmente não sabe por onde começar!

Tem que incentivar turma! Tem que fazer participar dos momentos em que se cozinha! Tudo bem, se você não é o chef da casa, leve no supermercado, na feira, explique o que são os alimentos! Use os brinquedos didáticos, como a cozinha da boneca, a comidinha de madeira, plástico, massinha... As opções são infinitas! Ah, e se for menino, os brinquedos valem igualmente! Olha quantos chefs temos pelo mundo a fora!

Por outro lado – graças a Deus! – aaaaaadoro ouvir e ler também, quando recebo emails, as mamães que dizem que se divertem um montão na cozinha, que os filhotes curtem comer. Claro que, algumas vezes, com certas birras e, ainda bem, pois isso significa que as kids também têm paladar e sabem se expressar pelo que gostam e menos gostam de comer!
Mas lembre-se da regra que a gente tem lá na escola: tem que comer uma garfada de tudo, tudo se experimenta!

Desculpem o meu desabafo, mas muitas vezes o nosso trabalho é também dizer certas coisas, por mais delicadas que elas sejam! Uma nota positiva: para a próxima coluna estou trabalhando em cima do lanchinho que os filhotes levam na escola.

Se por acaso vocês tiverem sugestões ou perguntas, me escrevam! E, se por acaso tiver mães que tenham filhos que almoçam na escola no período integral, me contem como é a experiência.

Até a próxima coluna, sempre com tanta fome de coisa boa!

Marcela Senise

Marcela Senise

Marcela Senise, filha de Miro e Leda, mora em Turim. É formada em Marketing e Gastronomia, entrou no mundo infantil por acaso e nunca mais saiu de lá! É professora de inglês do maternal ao 1º grau e vai contar suas aventuras observando a hora da comida dessa criançada.

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