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João Pedro Menezes

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Manias, manias e manias...

Mesmo com as muitas vitórias, Luanda foi vencida em quesitos

Manias, manias e manias...

É difícil resistir à tentação de ficar contando, com riquezas de detalhes, todas as vitórias da maternidade. No meu caso, então, eu não canso de me vangloriar das estratégias bem-sucedidas que desenvolvi para fazer da minha filha um exemplo de criança na alimentação, no sono, na sociabilidade, no bom humor, na saúde... Esta lista, felizmente, está cada vez maior!

Mas, admito aqui publicamente, em alguns quesitos eu simplesmente fui vencida! São coisas não muito graves, nada que me tire o sono, mas que podem ser prejudiciais para o crescimento da Valentina...
Vamos aos exemplos:

- Antes mesmo de completar um ano, Valentina já tinha percebido que a culpa por deixá-la tantas horas no trânsito de São Paulo era um ponto fraco. E, todos os dias, aproveita para pedir o que ela mais gosta, sem limites: comida, comida e comida. É claro que ainda estou firme nos meus propósitos de só dar alimentação natural e nada de açúcar a ela. Mas também não é saudável entregar uma bolachinha de arroz integral atrás da outra assim que ela entra no carro tendo acabado de jantar na escolinha. É difícil, eu não consigo dizer não, não resisto aos choramingos de uma criancinha linda fazendo biquinho e pedindo “pão, pão, pãaaaaaaaao”.

- Ordem total. Não sei se é uma questão de personalidade, mas é incrível como algumas crianças desenvolvem manias de organização. Valentina é muito atenta, observadora e já dá sinais de que adora ordem, é conservadora. Na hora do banho, não abre mão de brincar com o caracol de borracha. Sempre o mesmo, não dá para mudar. Na hora da comida, o babador tem que ficar esticado na mesa, o prato em cima e a colher tem que ser a que der na telha. Às vezes chego a trocar quatro vezes de colher até chegar à que ela está pensando para o momento!! E a mãe cede, cede, cede...

- Poderia entrar no tópico “manias”, mas já passou dessa fase e virou um vício: chupar o dedo. Fiz tudo certinho, dei chupeta na hora certa, nunca ofereci uma mamadeira à minha filha, mas não consegui evitar que ela chupasse o dedo. Para dormir, não tem jeito: ela puxa a etiqueta de um bichinho de pelúcia (sempre o mesmo!) e já coloca o dedinho na boca. Confesso, também publicamente, que nunca consegui fazê-la dormir de outra forma... Na cadeirinha, é só fechar o cinto de segurança e ela já procura o dedo. Sabe que o percurso é longo, já coloca a mão na boca e também gruda na etiqueta da boneca (sempre a mesma!)...

- Quarto escuro. Breu total, sem uma frestinha de luz. É assim que Valentina gosta de dormir, inclusive durante o dia. Na escola, obviamente, não tem essa exigência toda. Dorme bonitinha, na hora em que os amiguinhos dormem também. Mas, em casa, os pais cedem, e cedem, e cedem... Minha filha acorda raramente durante a noite desde os três meses de vida, mas dorme mais e melhor quando está no escuro total. Essa é a grande vantagem. A desvantagem é que a adaptação quando estamos fora de casa – e costumamos viajar bastante! – é sempre mais difícil.

A estratégia que desenvolvi para encarar todas essas manias é simplesmente deixar passar... Não é das melhores, eu sei, mas também sei que não dá para ter sucesso em todos os tópicos. Torço, mais do que espero, que ela deixe o dedinho de lado na hora de dormir. Que peça comida somente quando estiver com fome. E que durma em qualquer lugar, a qualquer hora. Por enquanto, o único remédio que conheço para tudo isso é o tempo... Alguém tem outro para me receitar?

Obs: embarcamos, no próximo domingo, para uma linda viagem de férias. Volto à coluna na semana do Carnaval. E prometo grandes histórias...

Luanda Nera

Luanda Nera

Luanda Nera, jornalista, viveu 35 anos à espera de sua filha, a Valentina. Nessa trajetória, acumulou referências de grandes exemplos de mães, a começar pela sua própria, a Lucila. Aqui, espera dividir os conselhos úteis - os quais seguiu à risca e suspira aliviada! ?- e promete te fazer pensar em detalhes que podem fazer a diferença no dia-a-dia da maternidade.

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