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Davi Nunes Gonçalves

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Difíceis escolhas na busca por fazer minha filha feliz

Passear no parque ou tirar um cochilo no berço?

Difíceis escolhas na busca por fazer minha filha feliz

Tenho compartilhado neste espaço lições importantes que eu aprendi nesses valiosíssimos dois anos desde que me descobri grávida. E não canso se me surpreender com a força da natureza, que nos faz mestres e doutoras nos assuntos ligados à criação dos filhos em tão pouco tempo... Mas, confesso, algumas coisas são realmente difíceis de aprender somente com a prática. Não me refiro apenas às questões de saúde, que nos fazem tão dependentes dos conselhos dos pediatras. Mas à própria rotina da convivência com as crianças, principalmente as pequenas como a minha Valentina.

Desde que comecei a passear pela cidade – e fora dela – com a Valentina nos braços, quando ela tinha não mais do que 20 dias, um dilema nunca me deixou sossegada: até que ponto ELA estava se divertindo com o programa que EU inventei? Será que era melhor para ela passear no parque ou descansar no conforto de casa? Passear no shopping é sempre um momento agradável e seguro para um bebê ou só um jeito da mãe apelar às futilidades para relaxar das tensões dos primeiros meses?

O tempo passou, Valentina já não é mais um bebê de colo, e algumas perguntas já não me perseguem mais. Hoje não tenho dúvidas de que ela aproveita, e muito, um programa no parque, ao ar livre, mesmo que para isso tenha que enfrentar um tempo no trânsito ou passar um pouco de calor. E está claro para mim a importância de proporcionar a ela uma convivência próxima, calorosa e frequente com a família. Os carinhos inesgotáveis dela com as primas Laura e Luiza (e vice-versa) quando se encontram fazem com que todo o estresse para descer e subir a serra valha a pena. Assim como é o máximo vê-la convivendo com os avós, em Sorocaba, ou com os primos mais distantes, no Réveillon em Bebedouro.

Mesmo assim, confesso não saber se, aos 15 meses de vida, minha filha vai ficar mais feliz se for ao teatro, a um show de música infantil ou se, simplesmente, trocaria tudo por um dia inteiro brincando com os pais no tapete da sala. Não sei, e vivo atrás dessa resposta. Parece bobagem, preciosismo de mãe de primeira viagem, mas não é. Trabalho nove horas por dia e ainda perco mais outras duas no trânsito. Quando estou com a Valentina, enlouqueço de tanta vontade de fazer o melhor. De transformar o pouco tempo em momentos inesquecíveis, de convivência plena com a criança que eu tanto esperei. Mas também tenho medo de sobrecarregá-la com tanto estímulo, cansá-la, já que passa o dia todo na escola convivendo com os amiguinhos, ouvindo histórias, cantando...

É claro que, na medida em que for crescendo, vai aprender a expressar claramente suas vontades e não vai ser mais tão difícil perceber o que a fará mais ou menos feliz. Mas, mesmo nesta próxima fase, também quero que nossa convivência continue intensa e saudável também dentro de casa, também nas atividades mais prosaicas do dia-a-dia.

Hoje, se eu não me policiar, passo o tempo todo resolvendo coisas, organizando armários, subindo e descendo as escadas da minha casa. Minha estratégia para não deixar minha filha sempre à espera dos minutos que restarem é fazer com que ela participe de tudo, que curta cada etapa do banho, da arrumação da mochila para a escola, da preparação da comida, de tudo mesmo. Ela me ajuda, segue direitinho os rituais (puxou as neuras da mãe!), vibra com cada atividade que realizamos juntas e faz questão de me deixar confiante de sua felicidade... Disso eu não tenho dúvidas!

Luanda Nera

Luanda Nera

Luanda Nera, jornalista, viveu 35 anos à espera de sua filha, a Valentina. Nessa trajetória, acumulou referências de grandes exemplos de mães, a começar pela sua própria, a Lucila. Aqui, espera dividir os conselhos úteis - os quais seguiu à risca e suspira aliviada! - e promete te fazer pensar em detalhes que podem fazer a diferença no dia-a-dia da maternidade.

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