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Diabetes gestacional

Para Luanda, o problema virou solução durante a gravidez

Diabetes gestacional

Eu não estou grávida, minha filha já tem 1 ano e 4 meses, mas não tem um dia sequer que eu não me lembre das 41 semanas em que fui gestante. É claro que ninguém passa imune à transformação mais importante da vida de uma mulher, mas eu vivi intensamente cada detalhe da gravidez, curti todas as etapas, fiz questão de mergulhar nesse universo. E tenho saudades, ah, como tenho saudades do meu barrigão!

Por tudo isso decidi compartilhar com vocês o único conflito que enfrentei durante os 9 meses de espera pela Valentina: o diagnóstico (não confirmado) de diabetes gestacional. Até mais ou menos o 5º mês de gravidez absolutamente nada mudou na minha rotina. Continuei trabalhando, passeando, dirigindo e comendo de tudo. Por sorte ou bendita herança genética, minha barriga crescia lindamente e eu pouco engordava, o que me fazia extrapolar nas balinhas, chocolates e litros de suco de laranja. Mas a conjunção de stress no trabalho, reforma em casa e excesso de gulodices fez com que, por volta do 6º mês de gravidez, minha pressão subisse um pouquinho e meu peso também. Precavida, a médica logo pediu os exames de rotina – o que incluiu a famosa curva glicêmica – para ajudar a definir que tipo de “bronca” eu deveria levar. Os exames clínicos não acusaram nada de anormal e eu respirei aliviada. Só que, dias depois, o ultrassom revelou que eu carregava comigo uma “bebezona” – linda, perfeita, mas que, pela métrica da medicina fetal, ocupava a casa do “percentil 90”. Traduzindo: dentre a média dos bebês, ela estava na faixa dos 10% maiores. E assim se manteve até o final.

Na hora achei o máximo saber que teria uma filha grande, forte, o que inevitavelmente nos remete à muita saúde. Mas a obstetra logo me encaminhou para uma endocrinologista que, super rígida, pediu que eu imediatamente cortasse o açúcar da minha dieta. Simples assim: eu deveria parar com os doces, os pães brancos, os sucos de laranja, as massas... Fácil, né? Para uma mulher gulosa e grávida, a notícia me derrubou.

Acatei a recomendação sem questionar, e segui religiosamente toda a dieta. De uma forma tão disciplinada que até hoje eu não sei como consegui. Mas a possibilidade de fazer mal à minha filha, de ser a responsável por ela ter uma hipoglicemia ao nascer ou, no futuro, desenvolver diabetes, era apavorante. Todos os dias eu me lembrava do saco de jujuba que me acompanhava no carro nos primeiros meses de gravidez e me enchia de culpa... Mudei toda a minha rotina, passei a levar comida no trabalho (feita pela minha avó, minha grande e fiel companheira!) e a andar com uma sacola térmica no carro com um “kit diet de sobrevivência em eventos, festas e fomes inesperadas”.

Fisicamente, no meu corpo, o resultado foi imediato: minha barriga crescia lindamente e eu me sentia cada vez mais magra. Cheguei a ficar dois meses sem engordar nem um grama. Olhava no espelho e via meus músculos mais rígidos, minha pele mais lisa e brilhante. Enquanto isso, Valentina seguia forte, mas não deixava o posto de bebezão. Eu sonhava com um petit gateau, mas sentia uma disposição enorme, sabia que estava mais leve, mais saudável. Também contava os minutos para devorar um pacote de pão de queijo, mas a cada medição da glicemia ficava orgulhosa do meu esforço.

Essa história teve um final feliz, como vocês podem imaginar: Valentina nasceu com quase 3,8 kg, 49 cm e nenhum sinal de hipoglicemia pós-parto. Minha glicemia, em jejum, não chega a 80. Mas o mais importante não são os números. Hoje eu agradeço a orientação das médicas e, de verdade, considero uma sorte ter passado por tanta privação nos últimos meses da gravidez. Meu corpo agradece, a saúde da minha filha também.

Luanda Nera

Luanda Nera

Luanda Nera, jornalista, viveu 35 anos à espera de sua filha, a Valentina. Nessa trajetória, acumulou referências de grandes exemplos de mães, a começar pela sua própria, a Lucila. Aqui, espera dividir os conselhos úteis - os quais seguiu à risca e suspira aliviada! - e promete te fazer pensar em detalhes que podem fazer a diferença no dia-a-dia da maternidade.

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