Pais & Filhos

Bebê
Anna Luiza

Seu filho também pode ser destaque aqui!

Clique e saiba como

Você está aqui: Home / Só no site / Luanda Nera / Aprender a andar

Aprender a andar

Impossível não se emocionar com os primeiros passos da primeira filha...

Aprender a andar

De todos os grandes momentos que fazem da vida de mãe um turbilhão de emoções, começo a vivenciar agora certamente um dos mais marcantes... Minha filha Valentina perdeu o medo, ganhou coragem e finalmente começou a andar! Com um ano e cinco meses, ela vinha ensaiando os primeiros passos desde que completou um ano... A expectativa desta mãe ansiosa e inexperiente aumentava na medida em que ela não demonstrava muito prazer em caminhar sozinha. Nos últimos meses, pouco ficava no nosso colo, mas não largava a nossa mão... Um pedido de ajuda para levantar, um “mamãe” tímido para trazer a boneca até ela, um aperto forte de mão para não desgrudar... Tudo isso fazia com que minha filha continuasse a ser um bebê!

Desde o começo da semana, uma nova etapa começou... Valentina se tornou confiante e, o melhor, aprendeu a gostar da independência. Às vezes me pego longe, pensativa, tentando adivinhar as sensações pelas quais ela está passando. Não consigo imaginar nada mais deslumbrante do que descobrir o poder de coordenar as próprias pernas, de se sentir dona das próprias escolhas, mesmo que elas se restrinjam às áreas menos perigosas da casa – longe das escadas, das portas, da estante de CDs, dos vasos de plantas, do fogão...

Talvez não seja igual para todas as mães, mas, para mim, ver Valentina caminhar sozinha pela casa ou correr sorrindo em minha direção na saída da escola tem sido emocionante. Penso no bebê que carreguei por nove meses na barriga e por mais de um ano no colo durante praticamente 100% do meu tempo. Penso que, quando via crianças correndo em festinhas ou em parques, achava que demoraria uma eternidade para vivenciar isso com a minha filha. Penso também nos novos desafios que a vida me reserva, já que não tenho mais o controle total sobre ela. E isso é também muito assustador...

Mas é também muito animador saber que, a partir de agora, ela vai poder aproveitar ainda mais os brinquedos de um parquinho, interagir com outras crianças, dançar, andar de mãos dadas com as primas... E eu, por outro lado, vou poder vê-la brincar, correr na areia, ir atrás de suas vontades, por uma perspectiva que até agora eu não conhecia.

Lembro que, quando criança, minha mãe anunciava uma nova etapa da nossa independência a cada ano. Aliás, tornar as filhas prontas para a vida era quase uma obsessão dela. Aos nove anos, eu já pegava ônibus sozinha. Aos 11, a temida novidade era ficarmos no apartamento à noite, enquanto minha mãe dava aulas. E assim por diante. Lembro perfeitamente de cada fase desse processo, e das sensações de euforia e frio na barriga que ele desencadeava.

O fato é que tenho curtido muito essa nova fase da Valentina. Sempre quis ter uma filha mulher e sonho para nós duas uma relação tão linda como a que eu tinha com a minha mãe. Ou como a que eu tenho com as minhas irmãs. Vê-la caminhando, agora lado a lado, me faz vislumbrar um futuro de companheirismo, de cumplicidade e de uma convivência intensa. Não quero sufocá-la com minhas expectativas e projeções, mas quero que saiba que vou continuar por perto. Sempre por perto. Mesmo que ela já não mais precise da minha mão para caminhar ou do meu colo para protegê-la.

Luanda Nera

Luanda Nera

Luanda Nera, jornalista, viveu 35 anos à espera de sua filha, a Valentina. Nessa trajetória, acumulou referências de grandes exemplos de mães, a começar pela sua própria, a Lucila. Aqui, espera dividir os conselhos úteis - os quais seguiu à risca e suspira aliviada! - e promete te fazer pensar em detalhes que podem fazer a diferença no dia-a-dia da maternidade.

Comentário(s)

Enquete