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Giovanna Marçal Menezes

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Disfarçando preocupações

Mais do que ótima mãe, é preciso ser excelente atriz!

Disfarçando preocupações

Não quero que me levem a mal. É claro que tudo que fazemos em nossos papéis de mães é, sempre, inevitavelmente, com a melhor das intenções e tem como meta a felicidade suprema dos filhos. Por isso mesmo eu demorei um tempo para perceber uma característica inédita que adquiri com a maternidade: o talento para atuar, representar, disfarçar ou simplesmente fingir.

De todas as decisões que já tomei nos meus 37 anos de vida nada foi mais certeiro do que gerar uma filha tão linda e perfeita quanto Valentina. Mas mesmo para as mães que, como eu, não têm dúvidas quanto à importância da maternidade e são absolutamente fascinadas pelos seus filhos, é muito difícil (ou até impossível) seguir à risca o bom comportamento, aquele que recomendam os manuais de pediatria. Sou a ansiedade em pessoa. Tensa, desconfiada, elétrica, ultra perfeccionista e preocupada. Também não sou equilibrada, menos ainda tranquila.
 
Listados meus defeitos, já posso admitir, sem falsa modéstia, que como mãe sou totalmente diferente. Minhas principais qualidades na convivência com a minha filha são a calma, a serenidade, o bom senso, a prudência, a confiança e a tranquilidade. Quem me conhece pode atestar o que estou descrevendo! Nos primeiros dias da Valentina na escola, chegava a rir quando ouvia da diretora elogios do tipo “ah, que bom seria se todas as mães fossem calmas como você”. Ou: “você não pode imaginar como é difícil ser uma mãe ansiosa”. E respondia que simplesmente sou “boa atriz” ou que “disfarço bem”. O que é a mais pura verdade!
 
Hoje, quando alguém enaltece minhas “novas características”, já reconheço – cheia de orgulho – que o amor pela minha filha faz com que eu consiga sublimar meus principais defeitos. Acordo correndo, não tomo café da manhã, e conto cada segundo para fugir do trânsito. Mas quando pego Valentina no berço deixo que ela tenha o tempo dela – jamais a fico apressando, faço o máximo para que não perceba minha afobação. E assim por diante, em diversas situações da nossa vida.
 
Não é fácil, mas é aí que entra nossa capacidade de atuar, de representar.  Seja no carro, depois de um dia estressante de trabalho ou com uma preocupação familiar latente na cabeça, eu não tenho o direito de contagiar minha filha. Não seria justo, não seria um exercício de amor. A rotina que enfrentamos hoje é, sim, resultado das escolhas minhas e do pai dela.  Aprendi com a minha mãe o quanto é nobre assumirmos as responsabilidades pelos nossos atos – seja na direção de um carro, seja na condução da própria vida.
 
O resultado é reconfortante: Valentina dorme muito e bem, inclusive durante o dia. No final de semana, chega a acordar às 11h da manhã com um ótimo humor. Durante a semana, mesmo arrancada da cama antes das 7h, abre os olhinhos e imediatamente sorri. Na volta às aulas depois de 20 dias em casa, chegou a, literalmente, sapatear de alegria na porta da escola. É doce, centrada, tranquila, absolutamente sociável e adaptável a qualquer ambiente ou rotina. Faltam elogios para que eu consiga descrever minha filha exatamente como ela é. Nada, absolutamente nada, eu gostaria de mudar na personalidade, na saúde ou no rostinho dela. E isso eu digo com a mais pura sinceridade de quem representa vários papéis na vida, mas que, neste espaço, não encena nem usa máscaras!
Luanda Nera

Luanda Nera

Luanda Nera, jornalista, viveu 35 anos à espera de sua filha, a Valentina. Nessa trajetória, acumulou referências de grandes exemplos de mães, a começar pela sua própria, a Lucila. Aqui, espera dividir os conselhos úteis - os quais seguiu à risca e suspira aliviada! - e promete te fazer pensar em detalhes que podem fazer a diferença no dia-a-dia da maternidade.

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