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A paz que chega com a rotina e a disciplina

Luanda fala da importância de manter horários, inclusive para amamentar

A paz que chega com a rotina e a disciplina

Ser mãe depois dos 30 (no meu caso, exatamente aos 35!) é uma enorme responsabilidade. Passada a fase da ingenuidade, da inexperiência e das falhas que a juventude nos permite cometer, a maturidade faz com que a decisão por ter filhos seja absolutamente consciente e planejada. Pelo menos comigo foi assim... E uma das coisas que eu tinha claro em todo desenho da maternidade que eu vinha construindo na minha cabeça era a importância da disciplina para a formação das crianças. Minha mãe foi o exemplo mais perfeito de quem soube conciliar regras aparentemente rígidas com muito, muito amor e companheirismo. Sabia nos fazer sentir responsáveis por cada ato, mesmo aqueles mais inconsequentes. Ao mesmo tempo, acompanhava de perto, admirando e engrandecendo, cada detalhe da nossa vida. Isso eu nunca esqueci e tenho como meta para minha relação com a Valentina.

Não canso de repetir sobre como me inspirei, também, no exemplo da minha irmã Mariana na criação das minhas sobrinhas. E tinha me preparado, antes mesmo de dar à luz, para ser firme no propósito de dar segurança à minha filha, fazer dela uma pessoa independente, forte, bem resolvida, feliz e escandalosamente amada. Assim como eu fui. Para isso, sabia que deveria tomar algumas medidas práticas (e até um pouco controversas) como: deixá-la dormir no berço em seu próprio quarto desde os primeiros dias, estabelecer uma rotina para amamentação, manter horários para dar banho e dormir, entre tantas outras...

Logo de cara, os transtornos com a amamentação derrubaram meus planos e minha confiança. A tensão por ver minha filha chorar de fome me desestabilizou e nenhuma regra resistiu a isso. Por cerca de 40 dias Valentina dormiu no nosso quarto, num carrinho apertado. E não tinha horário para quase nada – mamava quando chorava muito (eu tentava manter um intervalo de no mínimo 2h e no máximo, 4h), dormia onde dava (no colo, no sofá, na cadeirinha, na nossa cama etc) e tomava banho quando eu tomava coragem.

Nem preciso dizer que nossa vida até então era uma loucura, eu praticamente não dormia e ela sofria desesperadamente com as cólicas – o que parece absolutamente normal para a rotina de um recém-nascido, o que acontece para 99% das famílias. A novidade é que não precisa ser assim. E que isso depende exclusivamente de nós, pais. A mudança veio depois de uma consulta com a pediatra (homeopata e psicóloga) das minhas sobrinhas, em um consultório de Santos (SP). Eu já conhecia a fama dela de “radical”, mas estava disposta a mudar a rotina e deixar toda a família mais tranquila. Depois de duas horas de consulta e muita conversa, Dra Joana me convenceu de que as cólicas e os quilos ainda insuficientes para dar peso à minha filha eram resultado de uma rotina caótica, nada tranquila.

Assim que voltei para casa, depois de uma temporada de 10 dias em Santos, decidi adotar as dicas da Dra Joana pouco a pouco. E, acreditem: não doeu, não foi traumático, não foi nem difícil. Minha filha passou a dormir só no berço, sempre no quarto, seguindo todo o ritual banho-pouca luz-desaceleração. “Passar uma noite numa poltrona de ônibus ou avião não é o mesmo que dormir na sua própria cama”, comparou sabiamente a pediatra. Também percebi o valor da rotina mais rígida para a amamentação. Sei que muitos defendem o sistema de “livre demanda”, mas, no meu caso, decididamente isso não funcionou. Eu precisava criar confiança para conseguir discernir o choro de fome do choro pelo choro simplesmente. Entendi que Valentina também era capaz de se habituar a uma vida com horários – e o quanto isso a deixaria mais tranquila, menos ansiosa.

O resultado foi rápido, imediato: as cólicas desapareceram e minha filha voltou a ganhar peso de forma absolutamente normal. Eu também já podia sair sem o pânico de, ao primeiro gemido, achar que ela estava com fome. Por outro lado, fiz um esforço enorme para fazê-la dormir o maior tempo possível entre as mamadas, mantive religiosamente o ritual. Até os sete ou oito meses da Valentina eu procurava, ao máximo, ficar em casa depois das 18h. E tremia quando aparecia alguma festa, um evento de família.

Valeu a pena cada passo dessa rotina estruturada. Antes de completar quatro meses ela já dormia a noite inteirinha e até hoje, com quase um ano e três meses, vai para cama entre 19h30 e 20h e só acorda lá pelas 8h do dia seguinte... Isso sem falar na alimentação que, acredito, também é resultado da segurança que a disciplina proporcionou para ela. Valentina nunca recusou um prato de comida e não tem um alimento sequer que ela não adore! Mesmo sem ter experimentado açúcar, fritura e qualquer tipo de alimento industrializado, come com um prazer invejável. Quando digo para a Dra Joana que tenho sorte de tê-la como filha, ela sempre me devolve: “ela é que tem sorte de ter uma mãe como você”. Eu, sem qualquer modéstia, acredito.

Luanda Nera

Luanda Nera

Luanda Nera, jornalista, viveu 35 anos à espera de sua filha, a Valentina. Nessa trajetória, acumulou referências de grandes exemplos de mães, a começar pela sua própria, a Lucila. Aqui, espera dividir os conselhos úteis - os quais seguiu à risca e suspira aliviada! - e promete te fazer pensar em detalhes que podem fazer a diferença no dia-a-dia da maternidade.

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