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O que o meu filho capta do que eu comunico?

Lígia fala sobre a maneira que você se comunica com seu filho. Veja!

O que o meu filho capta do que eu comunico?

Ouvi esta história de uma leitora e compartilho exatamente por parecer muito comum, repleta de semelhanças com o nosso cotidiano, do tipo que facilmente passa distraidamente despercebida diante dos nossos olhos, mas que tem um alto grau de periculosidade. Uma história real e com um final que nos leva a refletir, imediatamente, ‘o que’ e ‘como’ temos nos comunicado com nossos filhos.

Três irmãos moravam numa casa com uma frondosa e formosa árvore que atraia diariamente famílias de saguis. As crianças adoravam brincar, rir das macaquices e alimentar os bichos. Era uma alegria! Mas a mãe, com medo de doenças, ameaçava com braveza colocar todos de castigo se soubesse que algum deles tivesse tido algum contato com os bichanos.

Um dia, o filho mais velho desobedeceu e foi mordido. Temeroso da bronca e do castigo, contou apenas à irmãzinha, que também temeu contar à mãe. Mas logo o menino caiu doente. Sintomas de náusea, vômitos, espasmos musculares, alucinações, insônia, episódios de violência. A irmã caçula, em prantos e em medo, contou aos pais da desobediência. Tarde demais, o menino já havia contraído o vírus da raiva e, em pouco tempo, morreu. Como se não bastasse, a história continua. Pouco antes de morrer, em um dos ataques sintomáticos da doença, o menino mordeu a mãe, contaminando-a com o próprio veneno. Que fim! Que história! Análises não lhe faltam. Mas, vamos focar a comunicação.

A mãe teve boa intenção. Proibiu os filhos para protegê-los de doenças. Mas o modo como comunicou acabou por minimizar a informação que, como vimos, era valiosa. Atenção! Não basta proibir por proibir. Uma regra não deve vir isolada do seu princípio. Desde pequeno é importante saber o porque das coisas que se faz ou se deixa de fazer. Não basta proibir de interagir com os saguis. Tem que saber porque não se pode tocá-los, alimentá-los. Assim, ficará mais fácil obedecer e lidar com a tentação e a impulsividade da infância. Ou tem coisa mais gostosa do que brincar com bicho quando se é criança?

Outra falha: os filhos não podem ter medo dos pais. Respeito sim, medo não. Ameaçar, persuadir, berrar, diminuir a autoestima, aumentar a insegurança, não ouvir, várias são as maneiras de bloquear a comunicação e ampliar o medo entre pais e filhos, que acabam impedindo a transparência dos fatos e dos sentimentos e podem levar a estragos irreparáveis. Fazer com que o filho te obedeça pela via do medo não vale a pena.

Uma dica? Preste atenção às regras que tem colocado, aos princípios que as sustentam, à clareza das mesmas, ao tom e à entonação de voz usada, à postura corporal. Olhe-se em comunicação e vá fazendo os ajustes necessários para aproximar ‘o que’ e o ‘como’ você tem comunicado, com o ‘o que’ e ‘como’ seu filho tem recebido o que você tem comunicado. Este investimento vale, pode valer vidas!

Ligia Pacheco

Ligia Pacheco

Lígia Pacheco é mãe de Gabriela e Camila, autora do blog FILHOsofar, professora, palestrante e pesquisadora da educação. Nesta coluna, parte de histórias do cotidiano para discutir conhecimentos, trazer dicas e sugestões que colaboram com a educação entre Pais e Filhos.

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