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Estou com dúvida. E agora?
Há algo comum entre todos os pais: a vontade de acertar
Moro em frente a uma praça repleta de crianças e, ao observar as mães, noto como todas nós somos muito parecidas. Vejo a maioria querendo ajudar umas às outras, sempre tendo uma orientação a dar. Uma diz do filho que não come, a outra do filho que não gosta de estudar, a outra da filha que não a respeita, outras tantas com dificuldade de educar. O assunto babá parece não findar, e o tema da vez é escola: Qual, quando, como escolher? Rapidamente muitos são os palpites e muitas são as soluções para os mais diversos problemas e situações. Mas há algo em comum em nós: queremos mesmo é acertar.
Quando minha primeira filha nasceu, eu tinha várias teorias a me ajudar, e ainda, tinha experiência. Havia sido professora de meninos e meninas de idades diversas tendo o privilégio de perceber, na prática, todo o processo de desenvolvimento de uma criança. Mas como mãe, no dia a dia, parecia que nada daquilo servia. Logo percebi que as teorias são excelentes sim e as experiências também, mas que dependem muito do contexto, do momento, da necessidade, do amadurecimento dos pais. Meu marido e eu estávamos ainda nos descobrindo enquanto pai e mãe, e para isso não há ciência. Há entrega, há querer, há descoberta. Era preciso vivência.
Confesso que me senti perdida e cheia de dúvidas neste novo papel e missão. Todavia, sentia urgência em acertar, pois pressentia que facilmente poderia ser vencida por aquele ser tão pequeno e ingênuo. Logo entendi que, se não cuidarmos, os filhos acabam por nos educar. Olhe em volta e verás quantas crianças tiranas estão por aí a mandar. Vi que precisava de ajuda. Mas a quem recorrer? Todo mundo dá palpites, qual deles escolher?
Usei então uma estratégia: comecei a observar os adolescentes, pois creio que nesta fase podemos fazer uma boa avaliação do processo educacional que tiveram. Dois irmãos me chamaram muita a atenção. Eram adolescentes com personalidade, quereres e vontades. Tinham proatividade, responsabilidade e autonomia. Eram carinhosos, dóceis, mas não tolos. Respeitavam a todos, inclusive aos pais, de tal forma que foram, por mim, facilmente notados. Encantada, aproximei-me dos pais e deles aceitei os palpites e dicas diversas que me ajudaram muito, inclusive a olhar a minha experiência e as teorias com outros olhos, sendo possível colocá-las em prática a favor do desenvolvimento de minhas filhas.
Uma dica? Quando precisar de ajuda, observe os filhos de quem o apóia, seja ele médico, psicólogo, parente, seja quem for. Atente-se ainda ao seu coração e mente e veja se ficaram tranquilos. Mas, se ouvir do conselheiro o ditado “casa de ferreiro, espeto de pau” ou “santo de casa não faz milagre”, desconfie. E siga procurando com urgência, pois quase tudo espera, mas o desenvolvimento do seu filho não.
Ligia Pacheco
Lígia Pacheco é mãe de Gabriela e Camila, autora do blog FILHOsofar, professora, palestrante e pesquisadora da educação. Nesta coluna, parte de histórias do cotidiano para discutir conhecimentos, trazer dicas e sugestões que colaboram com a educação entre Pais e Filhos.
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