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As férias e o desenvolvimento
Aproveite o período para ajudar seu filho a passar por novas experiências
Num passeio de barco, atracamos em uma ilha e o grupo saiu a explorá-la. Cada um à sua maneira ia percebendo o que lhe interessava. Uns eram mais ousados, outros mais curiosos, outros cautelosos, outros em busca da melhor sombra, e assim o grupo foi dispersando. O lugar era incrível, havia muita coisa a explorar e a se aventurar. Andar na areia, nadar no mar, subir em pedras, catar conchinhas, desafiar-se em trilhas, explorar caverna, subir em coqueiro, abrir coco, enfim, inúmeras eram as habilidades, as percepções, os conhecimentos que poderiam ser explorados e desenvolvidos naquele paraíso. E assim fez a maioria das crianças e dos adultos.
Mas, um garoto de cerca de 8 anos chamou-me a atenção. Já no barco, não tirava os olhos da tela do seu equipamento eletrônico. Chegando a ilha, nem olhou ao redor e logo foi procurando onde sentar para continuar a interagir com a máquina. Seus olhos eram vidrados, não piscavam e seus dedos eram bem ágeis nos botões. A mãe tentava falar-lhe, mas era em vão. Tentou algumas vezes, mas desistiu.
Após várias horas na ilha, já cansados e cheios de novidades, todos seguiram rumo ao barco, onde cada qual compartilhava daquilo que viu, percebeu, aprendeu. Era claro que a experiência havia modificado cada um. Mas o garoto sentou-se no barco, e isolado continuou no seu mundo a espera de chegar à terra firme ou em qualquer outro lugar. Parecia não importar.
As férias podem sim ser uma excelente oportunidade de desenvolvimento ao seu filho. Mas, como vimos, não basta dar a oportunidade. É preciso ajudá-lo a perceber, observar, explorar e a bem aproveitar o que se tem. As férias são sensacionais, pois possibilitam à criança uma diversidade de novas experiências, bem como favorecem aprender com todos os sentidos, o que amplia e fortalece as conexões neuronais no cérebro. A criança aprende mais, aprende melhor e se desenvolve de forma mais ampla e complexa. E volta até mais crescida fisicamente, não é? Também crescida em vários sentidos.
Mas, não basta oferecer a experiência. Para o “garoto da tela”, nada do que lhe foi oportunizado chamou-lhe a atenção, pois não basta estar de frente à situação para captá-la. É preciso que aquilo faça sentido, que tenha um significado ou que venha a ter. E aqui os pais são grandes responsáveis para ajudar o filho a enxergar o que se tem, a dar sentido, a vivenciá-lo de forma a compreender mais do que está ao seu redor, ampliando com isso o seu mundo e a si mesmo. Isso também se ensina.
Uma dica? Ensine seu filho a querer e a gostar de ter novas e diversificadas experiências. Não deixe que ele minimize o seu potencial. E, lembre-se, você é um grande responsável pela formação dele. Insista e não desista. Ajude-o a conquistar um mundo maior.
Ligia Pacheco
Lígia Pacheco é mãe de Gabriela e Camila, autora do blog FILHOsofar, professora, palestrante e pesquisadora da educação. Nesta coluna, parte de histórias do cotidiano para discutir conhecimentos, trazer dicas e sugestões que colaboram com a educação entre Pais e Filhos.
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