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Aprendizado de hoje, base de amanhã
Aprenda a propiciar um melhor desenvolvimento ao seu filho
Estive estes dias com minha família em paraísos chamados Itacaré e Península de Maraú, no sul da Bahia. Serve a quem gosta de aventuras e praias desertas, como aos que apreciam estruturados eco resorts. O lugar mistura Mata Atlântica com rica biodiversidade, rios, cachoeiras, mangues, coqueirais, praias paradisíacas de tirar o fôlego. Vale a pena. Lindas cachoeiras brotam da mata antes do rio desaguar no mar. E a água salgada é tão cristalina que é possível ver peixes e corais sem esforço. Para alcançar tais paraísos é preciso subir e descer montanhas em trilhas na mata fechada, enfrentar desafios, subidas íngremes com piso escorregadio, sol quente, cansaço, várias dificuldades. Mas, tudo isso vira encanto frente às belezas ofertadas.
Este é um ótimo lugar para entender na prática a coluna anterior, onde foi colocado que para desenvolver é preciso aprender, e que para aprender é preciso a oportunidade. Quanto mais experiências ricas, maiores as chances de explorar e gerar desenvolvimentos ao seu filho. Mas, não basta estar de frente à Mata Atlântica, ao mangue, ao rio desembocando no mar, ao desafio, para compreendê-los de pronto ou associar ao conhecimento já estudado, por exemplo, na escola. É preciso chamar-lhe a atenção e ajudar o seu filho a fazer uma conexão com o que já conhece, pois a aprendizagem raramente se dá de forma automática ou passiva. Mas, dar aula numa cachoeira, no meio do mangue ou enquanto se está de olho em uma cobra? Bem, a idéia é traduzir a experiência em algo interessante e gostoso tanto para favorecer e fortalecer as relações com seu filho, quanto para ajudá-lo a manter a curiosidade, a buscar sentido ao que ele interage, a ampliar o seu conhecimento, a colocar-se em desafios, e em relação com o meio, consigo e com as pessoas. Enfim, aproveitando o momento para curtir e crescer.
E lembre-se: as aprendizagens de hoje servem para o agora, mas também como importante base para construções futuras mais complexas. Então, como melhorá-las? Nosso cérebro não é feito de gavetas, mas há áreas específicas para cada sentido, interligadas por vários neurônios. Quando uma criança aprende, por exemplo, a respeito do mangue por foto ou filme, ela tende a fazer conexões neuronais para formar a idéia de mangue na memória, ligando áreas auditivas e visuais, pois foram com estes sentidos que ela aprendeu. Mas, se ela afundar seus pés nele, sabendo que aquilo é um mangue, sentir o cheiro forte da lama, perceber os caranguejos, tocar as raízes aéreas da vegetação, apreciar a semente ser magicamente replantada, seu cérebro tende a aprender com os vários sentidos, além do movimento, que favorecem uma ampla rede de conexões neuronais, unindo distintas áreas cerebrais e formando uma representação mental para o mangue bem mais fortalecida e complexa, e favorecendo novas aprendizagens e desenvolvimentos. E isso vale para tudo, não só para o mangue e não só para as férias.
Uma dica? Oferte ricas oportunidades em sentidos e movimentos que ajudam a ampliar as representações mentais do seu filho. E o ajude a aceitá-las e a interagir com elas. Você estará investindo no hoje e em uma excelente base para aprendizagens e desenvolvimentos futuros. Outra dica? Indo a Itacaré, não deixe de experimentar a cocada de cacau. Hum!
Ligia Pacheco
Lígia Pacheco é mãe de Gabriela e Camila, autora do blog FILHOsofar, professora, palestrante e pesquisadora da educação. Nesta coluna, parte de histórias do cotidiano para discutir conhecimentos, trazer dicas e sugestões que colaboram com a educação entre Pais e Filhos.
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