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Sem meu filho eu não vou!

A saudade é normal, mas é possível viajar sem os pequenos sem sofrer

Sem meu filho eu não vou!

Ah, não vou mesmo! É esse meu dilema todas as vezes que surge uma viagem que eu tenha que fazer sem ele. Para mim, esse é um, ou o maior, dos grandes desafios da maternidade: aprender a me separar do meu filho. Depois que virei mãe, as coisas mudaram, tudo mudou. Não dá mais para fazer uma mala da noite para o dia e se mandar. Meu coração está completamente agarrado em uma pessoinha que, se não pode ir comigo, também não tenho vontade de ir. Como é difícil esse processo de separação "mamãe-bebê". Estou falando por mim, naturalmente. Tem mães que já enxergam isso de uma maneira mais light, com mais desprendimento. E isso não tem nada a ver com medida de amor pelo filho, absolutamente nada, é apenas uma forma melhor de lidar com a situação.

A primeira vez que viajei sem o Pedro foi radical. Nunca havíamos passado nem uma única noite separados e, quando ele completou um aninho, de cara, já fiquei nove noites fora de casa. Foi uma viagem de férias para Cancun, entre eu, meu marido e um grupo de amigos. Relutei tanto para comprar a passagem, mas acabei sendo convencida de que era necessário tirarmos um tempo para a gente, como casal. Chorei os três meses seguidos que antecederam a viagem. Ao contrário de curtir o momento, eu sofri. Só o que eu pensava era: ele vai sentir minha falta, ele vai achar que é um menor abandonado e que eu não o amo mais, que cansei de brincar, peguei minhas coisas e fui-me embora.

E se ele tiver uma dorzinha, uma febre, e eu não estiver por perto? Nem na escolinha eu o levei na semana anterior para não correr o risco de ele pegar uma dessas viroses, que eu já estou careca de saber que passa logo.

Fato é que o dia chegou e lá fui eu pegar o taxi para o aeroporto com coração apertado e vontade de ficar. Ahhhh, se eu soubesse antes! Quando cheguei no free shop……. Tudo passou! Assim, num passe de mágicas. Era como se o mundo tivesse se aberto de volta para mim. Percebi que há vida individual e matrimonial pós-maternidade. Que só basta a gente se livrar da culpa, a maior inimiga de uma mulher, porque no fim das contas, ela não serve de nada. Claro, deu tudo certo, como todos já tinham me alertado, inclusive o pediatra. Eu voltei leve, feliz e renovada. Pronta para continuar vivendo em paz e harmonia com minha família. Senti falta dele? Com certeza, muita. Mas tudo que eu chorei antes de ir, compensei com gargalhadas durante a viagem. Ele sentiu falta? Não. Foi como seu eu tivesse ido à padaria e voltado.

Agora surgiu outra viagem, desta vez a trabalho, e que não é nada atrativo para uma criança de dois anos. Ou seja, terei que ir sozinha! E o dilema recomeça… Só espero desta vez não chorar por três meses seguidos, afinal, chorar para quê?

Só que é o seguinte, meus amigos: no coração a gente não manda e isso é fato consumado.

Julia Barroso

Julia Barroso

Julia Barroso, mãe do Pedro, nasceu e mora no Rio de Janeiro, mas cresceu entre Brasil e Europa. É autora do livro que conta sua história real, "A menina da coluna torta" e do blog que leva o mesmo nome. Nesta coluna ela conscientiza e dá dicas sobre o problema que afeta milhares de crianças e adolescentes no mundo, a escoliose, uma grave deformidade da coluna vertebral. Neste espaço ela também nos dá o seu olhar sobre a vida como mãe.

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