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Preconceito não tá com nada!
É tarefa dos pais mostrar que todos somos iguais
O tema desta semana surgiu por meio de uma amiga minha que deixou um vídeo no meu mural do Facebook. Na campanha mexicana de mais ou menos 3 minutos, encontramos crianças sentadas na frente de dois bonecos, um de pele clara e outro de pele escura. Ao serem perguntadas coisas do tipo - qual você gosta mais? qual é mais bonito? qual é mais parecido com você? qual é bom? - são todos unânimes em dizer que é o branco. Tem um menino que me chamou a atenção ao comentar que o motivo de sua escolha é por não confiar no boneco preto. Outros não sabem nem o motivo, mas escolhem o branco por instinto.
Fiquei muito impressionada com este racismo de raiz, que vem de berço, porque afinal estas crianças, ainda tão pequenas, não deveriam ter preferências por cor alguma. Isso é grave e nos mostra como surge o preconceito: em casa.
Crianças que crescem assim, discriminando uma cor, raça ou sexo (e não importa se é no boneco ou no amiguinho da escola) serão jovens e adultos preocupantes, que acreditam piamente que todas as outras pessoas diferentes de si mesmo ou de seu grupo, nem são pessoas ou não merecem nada. Um absurdo! Porém, o mundo está cheio, infelizmente. Cabe aos pais a tarefa de orientar seus filhos de que todos somos iguais, seja preto, branco, amarelo, roxo, feio, bonito, rico ou pobre. Somos nós que temos que ensiná-los isso. Não é na escola e em nenhum outro lugar que se aprende, é em casa, com pai e mãe conversando e explicando que a discriminação por alguém diferente da maioria, não pode acontecer de jeito nenhum, pois ela é igual a todos os outros e deve ser respeitada da mesma forma.
Fico louca quando vejo alguém na rua olhando sem parar para um deficiente. Ele é diferente, claro, tem um problema que a maioria não tem, mas ficar encarando só vai fazer com que ele se sinta pior, mais diferente ainda. Por que não olhar as coisas com mais naturalidade? Estamos todos aqui nesse mundo para aprender e procurar a felicidade, cada um é diferente do outro em sua individualidade, preferência, destino (e que bom que é assim), mas ao mesmo tempo somos todos iguais, seres humanos. Tenho sorte de ter pais que me ensinaram isso e desde sempre o preconceito foi algo que passou longe da minha vida. Aprendi em casa, ainda bem! É exatamente o que pretendo fazer com o meu filho, ensinar que ser diferente é normal, que todos somos um e que o importante é ser feliz.
Por isso, mamães e papais, fiquem atentos as suas crianças, não deixem que eles cresçam com a cabecinha cheia de preconceitos, por que no fim isso será pior para eles mesmos, que nunca serão livres de verdade.
Julia Barroso
Julia Barroso, mãe do Pedro, nasceu e mora no Rio de Janeiro, mas cresceu entre Brasil e Europa. É autora do livro que conta sua história real, "A menina da coluna torta" e do blog que leva o mesmo nome. Nesta coluna ela conscientiza e dá dicas sobre o problema que afeta milhares de crianças e adolescentes no mundo, a escoliose, uma grave deformidade da coluna vertebral. Neste espaço ela também nos dá o seu olhar sobre a vida como mãe.
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