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Outros motivos

Quando a repetição de abortos é tratada com Terapia de Linfócitos Paternos

Outros motivos

Este é um assunto muito delicado, sofrido e desgastante. Muito mesmo! O aborto espontâneo. Eu e meu marido tivemos a infelicidade de passar por isso, e não apenas uma, mas por duas vezes. O que eu posso dizer é que é um dos piores sentimentos, se não o pior, que já experimentei na minha vida. Quando você perde um bebê, perde junto todos os seus sonhos, as expectativas criadas desde que pegou o resultado e perde também a sua alma. Foi assim que me senti, sem alma, completamente vazia. No meu caso as duas perdas foram bem no início, por volta de sete semanas, e como diria o meu médico, se é para perder, que seja o quanto antes, pois quanto mais o tempo passa, mais apego e amor se tem e mais complicado é para lidar com a situação. Porém, mesmo sendo no início, a dor é grande. Falo de dor emocional, não da dor física. É aquele tipo de sentimento intenso, que te invade como uma tsunami, te devasta. Dura alguns dias e depois a gente tem que virar a página, querendo ou não. A fila anda, como o mesmo médico diria.

Depois da segunda vez que aconteceu, tivemos que começar a fazer os exames para checar o motivo do problema e se realmente havia algum problema. Só no laboratório em que tirei sangue foram 24 tubinhos de uma vez. Isso para fazer toda a pesquisa necessária para descobrir a causa dos abortos. Fora vários outros exames. Um deles eu nunca tinha ouvido falar, o Cross Match. Com o resultado deste, saberíamos se havia alguma incompatibilidade imunológica entre meu marido e eu. Isso não tem nada a ver com incompatibilidade de fator RH. É outra história, que aliás não é muito fácil de entender e de explicar. Estudei bastante sobre o assunto, já que descobrimos que nosso problema era mesmo esse e, para mim, continuam algumas dúvidas até hoje. Falando como leiga, é como se eu tivesse alergia às células do meu marido, então meu organismo entendia o embriãozinho como um corpo estranho e interrompia a gravidez, causando os abortos.

Com o diagnóstico em mãos, era hora de começar o tratamento, que o plano de saúde não cobria. Tivemos a sorte de conseguir o dinheiro que precisávamos e fomos em frente. Para realizar o nosso maior sonho, faríamos qualquer coisa. Era assim que funcionava: a partir do sangue do pai eram feitas vacinas para serem aplicadas na mãe (eu) e assim tentaríamos "enganar" o sistema imunológico, fazendo com que ele entendesse que aquelas células do pai não eram corpos estranhos e que por isso não precisariam ser combatidas na próxima gravidez. Cada vacina precisava de um intervalo de três semanas, isso depende muito de caso para caso. Desse jeitinho que contei para vocês foi a forma que eu entendi o mecanismo do tratamento. Naturalmente que um médico especialista explica todo o lado técnico em detalhes e com muito mais informações.

Eu queria falar sobre isso, porque acreditei que daria certo e tive plena confiança no meu médico. O resultado foi que hoje tenho comigo o maior amor da minha vida, que me trouxe e traz muita felicidade, alegria e me faz entender, todo dia, o que realmente importa neste mundo. Meu filho Pedro é hoje a prova viva de que esse tratamento tem chances muito grandes de dar certo. Tem que acreditar! Quem está passando por este processo, de perdas repetidas da gestação, não deixe de perguntar para o seu obstetra sobre este tratamento.

Apesar de não ter a ver com coluna, dedico no meu livro algumas páginas sobre esta experiência que passei, por que me trouxe sofrimentos sim, mas também a maior alegria que eu poderia ter: meu filho!

Julia Barroso

Julia Barroso

Julia Barroso, mãe do Pedro, nasceu e mora no Rio de Janeiro, mas cresceu entre Brasil e Europa. É autora do livro que conta sua história real, "A menina da coluna torta" e do blog que leva o mesmo nome. Nesta coluna ela conscientiza e dá dicas sobre o problema que afeta milhares de crianças e adolescentes no mundo, a escoliose, uma grave deformidade da coluna vertebral. Neste espaço ela também nos dá o seu olhar sobre a vida como mãe.

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