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Verão leve

Com criatividade, você vai conseguirá fugir dos sorvetes neste verão

Verão leve

Por Luciana Alvarez, mãe de Marcelo

Toda refeição deveria ser uma hora de prazer, uma pausa no dia para saborear uma comidinha bem feita junto com a família. Mas talvez na sua casa não seja bem assim. Nem sempre dá tempo para preparar os alimentos do jeito que a gente gostaria, ou para conciliar as agendas e reunir todo mundo. E, mesmo quando dá, quem diz que os pequenos colaboram? Desprezam a salada e só querem o bife, mal começam a refeição e já pedem para voltar a brincar.

É natural crianças a partir de 2 anos de idade escolherem (ou quererem escolher) o que desejam ou não comer. Algumas chegam até a ter manias por determinados alimentos e se recusam a provar qualquer coisa nova. Outro comportamento comum à mesa é que elas se distraiam com facilidade. Com um pouco de criatividade, contudo, é possível driblar as resistências e transformar o momento em uma grande diversão.   

A diversão pode começar na hora de preparar a comida, chamando os filhos para ajudar. Foi assim que Rebeca Chamma, de 9 anos, se apaixonou pela cozinha e hoje é uma minichefe com um livro de receitas publicado – "Na Cozinha da Rebeca, aventuras culinárias para crianças extraordinárias" (Ed. Alaúde). “Desde que ela tinha 4 anos o pai punha um banquinho na cozinha e chamava a Rebeca para ajudar”, conta a mãe, Ana Cristina. “A primeira vez que ela fez um charuto (o pai é libanês e ensinou vários pratos típicos) foi uma alegria tão grande. E é claro que ela queria ver o resultado, ou seja, comer.”

A experiência de Rebeca mostra que quando a criança põe a mão na massa, fica orgulhosa do seu trabalho e acaba comendo com mais prazer. As tarefas passadas para os filhos devem ser simples – eles podem começar lavando frutas e legumes, misturando ingredientes, untando formas. As atividades envolvendo facas e fogo tem que ficar a cargo dos adultos, que também precisam supervisionar as crianças o tempo todo.  

Montar pratos com alimentos de várias cores é outra dica que ajuda na alimentação saudável de qualquer um. “Nosso primeiro sentido é a visão; se a criança se sentir atraída, fica mais propensa a experimentar. E quanto mais colorida, mais equilibrada é a refeição”, afirma a nutricionista Roberta Soriano, filha de Roberto e Ivete. Vale ainda variar na apresentação: um dia cortar a cenoura em rodelas, no outro ralar, depois cortar como palitinhos, etc. Afinal, crianças adoram uma novidade.

O mesmo pode ser feito com as frutas, uma delícia de opção para incluir em lanchinhos e no café da manhã. Maçã e pêra podem ser oferecidas como purê; melão e melancia em bolinhas (existe um utensílio chamado boleador que serve para isso);  praticamente todas podem ser cortadas em cubinhos e enfiadas em um espetinho. Nos dias de muito calor, os espetinhos podem ainda ir para o congelador, antes de serem servidos.

No verão, como o mais importante é manter as crianças bem hidratadas – e elas nem sempre vão pedir água – abuse de copos bonitos, coloridos, com canudinhos divertidos.

Uma sugestão do livro Comida de Criança, de Cláudia Lobo, é colocar frutas congeladas na água substituindo o gelo, ou mesmo jogar pétalas de rosa no copo d’água para dar um charme especial. Ao fazer sucos, evite usar açúcar; quando as frutas forem azedas, pode-se substituir a água pela água de côco, naturalmente adocicada.

Mas o primeiro passo para quem faz questão que os filhos se alimentem é também alimentar-se bem. “Quando a criança vê os pais, pessoas em que confia, comendo certos alimentos, vai querer comer aquilo também”, afirma a nutricionista do colégio Magister, Viviane Nagano, filha de Moacir e Wakae. “O exemplo é fundamental. Tem muita criança que come melhor no colégio que em casa porque vê o amigo comendo certa comida e fica estimulada a provar.”  

Outro cuidado fundamental é nunca forçar o filho a comer se ele não estiver com fome. “Não se pode lançar mão de um prato lindo, com carinhas, para ensinar a criança a comer sem fome”, alerta do nutrólogo Carlos Alberto Nogueira de Almeida, pai de Maria Eduarda, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). E tudo que for ensinado nessa fase, mais do que criar um hábito, vai determinar o funcionamento do corpo da criança por toda a vida.

Saiba mais

Na Cozinha da Rebeca, de Rebeca Chamma
Escrito por uma chef mirim, o livro traz receitas saudáveis e fáceis para serem preparadas por crianças.
Ed. Alaúde (alaude.com.br), R$58,40

Brincando com a Comida, de Vanessa Dualib
Não traz receitas, só imagens divertidas de comida transformada em pássaros, insetos e até Pac-Man.
Ed. Alaúde, R$44,50

Comida de criança, de Cláudia Lobo
Nutricionista ensina o passo a passo de refeições rápidas e nutritivas, desde a hora da compra até a apresentação dos alimentos.
MG Editores (mgeditores.com.br), R$69,90

Pequeno Gourmet, de Graça Gabriel
Um verdadeiro guia alimentar que orienta os pais a transformar refeições em fonte de saúde para seus filhos ano a ano.
Ed. Íthala (ithala.com.br), R$83

Consultoria: Carlos Alberto Nogueira de Almeida, pai de Maria Eduarda, membro da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), abran.org.br. Roberta Tejada Soriano, filha de Roberto e Ivete, nutricionista especialista em nutrição clínica, tel.: (13) 3224-4222. Viviane Nagano, filha de Moacir e Wakae, nutricionista do Colégio Magister, tel.: (11) 5545-2000, magister.com.br
 

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