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A ciência do toque

Conheça a haptonomia, técnica terapêutica ainda pouco conhecida no Brasil

A ciência do toque

Por Jéssika Morandi, filha de Érika e Alexandre

No mundo cada vez mais virtual de hoje é fácil se esquecer de tocar as pessoas. Não esbarrar, porque isso se faz o tempo todo nas calçadas, shows, ônibus, metrôs. Tocar no sentido de abraçar, beijar, fazer um carinho. E esse afastamento acontece também entre pais e filhos. Na Europa, há cerca de trinta anos, nasceu a chamada Ciência da Afetividade, criada pelo holandês Franz Veldman e que traz o toque como elemento essencial. Dentro desse princípio, o termo “Haptonomia” foi criado para designar um tipo de técnica terapêutica que estabelece laços através do contato físico. 
 
O trabalho da haptonomia é de reprogramação de padrões adquiridos, visto que na vida cotidiana praticamente não se valoriza – na verdade, se banaliza - o contato com o outro. Neste sentido, seria se acostumar a tocar as pessoas. Mas não é um contato qualquer. Ele recebe o nome de contato afetivo confirmativo e busca a reafirmação do próprio eu através da relação com o outro, tocando-o. 
 
Por tratar do relacionamento entre seres humanos, a técnica é abrangente e pode ser aplicada em várias áreas, como medicina, psicologia e pedagogia. Foi o que de fato aconteceu, pois quando o termo foi cunhado por Franz Veldman, a haptonomia era voltada apenas a casais à espera de um bebê.
 
A técnica
 
No acompanhamento haptonômico durante a gestação, a idéia é que pai, mãe e mesmo irmãos mais velhos toquem a barriga da mãe como forma de confirmação da existência do bebê e reafirmação da própria família. Depois de um tempo de prática e contando com a orientação do haptoterapeuta – pois o método tem suas técnicas próprias -, o movimento-resposta do feto aos estímulos recebidos é bastante perceptível, segundo Elaine de Oliveira, filha de Nereide e Alcino, uma das únicas especialistas em haptonomia no Brasil. 
 
Assim, a relação entre a família se torna muito mais forte e consciente e o bebê é capaz de senti-la desde a gravidez, o que torna seu desenvolvimento mais saudável. A partir do momento em que a mãe sinta os primeiros movimentos do feto dentro de si – por volta da 20ª semana -, já pode começar o trabalho com a haptonomia.
 
O especialista acompanha a gestação e as primeiras semanas de vida do bebê para orientar pai e mãe, que continuam trabalhando a técnica sozinhos depois do aprendizado, já que o método pode ser praticado até que a criança complete 2 anos. “Costumo dizer que o ser humano precisa dos três “a” em sua vida: amor, aprovação e apreciação, que é o que faz com que nos sintamos integrados, fazendo parte de algo. E a haptonomia é isso: integração entre a família”, afirma Elaine.
 
Além de integrar os familiares com a gestação – fazendo com que o pai, principalmente, participe mais ativamente do momento -, outro benefício que vem sendo apontado pela técnica é o de ajudar a mulher na hora do parto normal. Isso acontece porque, com a haptonomia, a mãe cria uma consciência corporal muito maior. Conectada com seu corpo e com o filho, a mãe se sente mais relaxada e até o tempo de trabalho de parto diminui para cerca de três, quatro horas, mostra a experiência de Elaine, que completa: “E não tem nada de místico nisso, é fisiológico mesmo, os músculos estão mais relaxados e a criança nasce super bem, a não ser que haja alguma complicação médica”.
 
Para Elaine, a haptonomia é uma forma de resgatar as formas básicas de contato corporal. “É muito comum as crianças passarem mais tempo com babás do que com os pais. Os meios virtuais também afastaram bastante esse contato e, além disso, a sociedade impõe, por exemplo, que meninos não se toquem. Quando eles o fazem, geralmente é em uma situação de competição”, diz Elaine.
 
No Brasil a haptonomia ainda é pouco conhecida e possui poucos profissionais que a aplicam. Os pais que tiverem interesse podem procurar os workshops informativos – voltados para quem quer saber mais sobre o tema – e/ou os cursos de formação que Elaine de Oliveira desenvolve no Brasil: elaoliver@hotmail.com Antes de trazer a técnica ao país, a especialista a transmitiu na Europa, onde também se tornou doula.
 
Consultoria: Elaine de Oliveira, filha de Nereide e Alcino, é nutricionista, coach pessoal e profissional e especialista em medicina chinesa. Fez curso de especialização em haptonomia no Institute of Human Movement Sciences, da University of Groningen, Holanda.
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