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Ana Beatriz de Carvalho Dermoni

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Um simples sorvete

Quem imaginaria que uma manhã na praia pudesse ser tão proveitosa economicamente

Um simples sorvete

Aconteceu há alguns anos e nunca me esqueço. Meus filhos tinham por volta dos 7 / 8 anos e convidamos um amigo deles para passar alguns dias conosco na praia.

Na primeira manhã, depois de muito correr e se esbaldar no mar, fomos todos juntos tomar um sorvete no carrinho logo ali na frente. O amigo dos meninos, desavisado das regras da casa, tascou logo um pedido de um Cornetto. Todo mundo olhou espantado. Meus filhos, treinados à exaustão, falaram na hora: ”Cornetto não pode, é muito caro! Escolhe um picolé.” Ai, que vergonha – e que orgulho.  Eles não falaram nada além da pura verdade. Em casa temos um limite para sorvetes: um por dia e tem que ser aqueles picolés, dos mais baratos, Frutilly, frutas ou chocolate. A regra é puramente econômica.
 
Explico. Faço parte de uma numerosa família italiana.Então definimos que sorvete seria um só e de fruta. Porque basta fazer as contas: 8 (número de crianças)  x 1 (número de sorvetes)  x R$ 1,25 (Frutilly, o mais barato) = R$ 10. Agora multiplica esse valor por uma semana de praia, dá R$ 70. Se for um mês, R$ 300. Uma grana! Mas se no lugar de um sorvete de limão for um Cornetto (R$ 4,25) ou um Magnum (R$ 4,75) a conta do mês sai para mais de mil reais.  E se forem dois sorvetes então... Imagine esse dinheiro todo derretido na barriga das crianças.
 
Eu sei, eu sei, que nem todo mundo tem todas essas crianças na praia. Mas hoje em dia, aquele pedaço de areia tem tantas tentações e tantos gastos, que um prosaico dia no mar, pode virar um rombo no seu orçamento. O jeito é criar algumas regras. Some ao sorvete o milho verde, um sanduíche, uma bebida... No fim do mês os lanchinhos saem caríssimos.
 
Talvez esse tipo de economia não faça diferença no seu orçamento. Você pode não ver vantagem nisso, mas tenho certeza de que mostrar para seu filho a importância dos gastos conscientes (eles terem ideia de quanto custa tomar sorvete na praia todos os dias), da escolha (um picolé mais barato para poder tomar uma bebida, por exemplo, com a diferença)  e a imprescindível imposição de limites, como sempre, só farão deles adultos preparados para encarar seu orçamento mensal. E é isso que a gente quer, não é?
 
Patricia Broggi é jornalista e autora do livro "Falando de Grana" (Ed. Panda Books). Aprendeu economia no dia a dia, de onde tira inspiração para sua coluna
Patricia Broggi

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