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O tempo todo

Educar exige constância e repetição. A educação financeira também

O tempo todo

Meu filho Luca já tem 14 anos. Desde os 8, recebe semanada, que ele administra até que bem direitinho. Além de não ser consumista, aprendeu, com muita insistência dos pais, que é preciso saber fazer escolhas, se planejar. Mas algumas vezes a teoria não dá tão certo. Explico, outro dia ele chegou em casa com uma novidade: para comemorar o aniversário de uma amiga iriam passar o dia no parque de diversões Hopi Hari. Não era um convite, apenas alguns amigos resolveram que seria uma ótima forma de festejar. Até aí ótimo, eles inclusive encontraram uma mãe disponível para levá-los ao parque e buscar – eu me livrei dessa, ufa!

Foi quase na hora de sair que eu perguntei sobre o ingresso. Para encurtar a história, o Luca não tinha ideia de quanto custava a entrada, estava levando R$ 50 e pediu para eu colaborar com a comida. “Para, para, para, tá tudo errado!” Lembrei a ele que pelas regras da mesada esse seria um programa de responsabilidade dele (ingresso e alimentação). Entrei na internet e chequei o preço da entrada: R$ 69, preço promocional. Isso significava mais de duas semanadas dele – Luca ganha R$ 28 a cada semana. Somado à comida, o valor estava alto demais para as posses do meu filho. Era um programa que ele não podia pagar.  O jeito seria desistir, mas os outros cinco amigos estavam esperando por ele para sair.

Que difícil! Para ele e para mim. O certo seria fazê-lo ficar, mas é duro ser firme numa hora dessas. Devo confessar: dividimos o prejuízo. Paguei o almoço e expliquei que só faria isso porque valia como o “presente” da amiga (quem paga presentes sou eu, segundo a regra). Ele arcou com o ingresso (teve de pedir uma semanada adiantada para isso). Nessa negociação toda, chegamos à conclusão que ele tem que economizar de sua semanada um dinheirinho para saídas excepcionais. E que, algumas vezes, não poderá aceitar certos programas. Como um adulto não pode comer num megarestaurante se não tiver fundo para isso.

Talvez eu devesse tê-lo feito ficar em casa, mas achei que a conversa já mostrou muita coisa – inclusive que não dá para deixar de ensinar, ensinar, ensinar.

Patricia Broggi

Patricia Broggi

Patricia Broggi é jornalista e autora do livro "Falando de Grana" (Ed. Panda Books). Aprendeu economia no dia a dia, de onde tira inspiração para sua coluna.

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