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La notte porta consiglio

La notte porta consiglio

Os ditados, repetidos há gerações, sempre têm um fundinho de verdade

Por Patricia Broggi, mãe de Luca e Tiago.
Fale com ela: patriciabroggi@revistapaisefilhos.com.br


Sou de uma “vera famiglia italiana”. Meu pai nasceu por lá, minha mãe é filha de italianos. Não sei por que, mas essa minha família verde, vermelha e branca adora um ditado. E tem ditado em italiano para tudo. Quando era pequena e um irmão ia cutucar o outro, minha mãe dizia “lascia stare il can che dorme” (algo como “deixa em paz o cão que está dormindo”). Quando insistíamos por uma coisa e depois achávamos que não daríamos conta, lá vinha ela: “hai voluto la bicicletta, adesso pedali” (você quis a bicicleta, agora pedale). Se decidíamos fazer uma coisa de um jeito diferente, arriscando, minha mãe soltava “chi lascia la via vecchia per la nuova sa quel che lascia non sa quel che trova” (quem deixa a estrada velha pela nova, sabe o que deixa, não sabe o que encontra)... E assim por diante.

Até hoje uso esses mesmos ditados em uma ou outra ocasião, meio que automaticamente. Mas um deles em especial eu sempre gostei, constatei que funciona mesmo e uso com regularidade: “la notte porta consiglio” (a noite traz conselhos).

Se fosse convidada para fazer uma viagem no mesmo dia em que o meu time de handebol tinha uma competição, e não sabia o que fazer, lá vinha minha mãe e dizia: “pensa um pouco, espera para responder até amanhã, ‘la notte porta consiglio"”. Se ficasse em dúvida quanto a contar uma coisa para uma amiga, ouvia “la notte porta consiglio”. Se não conseguisse escolher entre comprar ou não uma coisa, lá vinha ela: “la notte porta consiglio”.

A verdade é que em todas essas situações a noite trazia mesmo conselhos. Comprovei que o ditado funciona como uma luva nos casos em que gastos e compras estão envolvidos. Nessas ocasiões eu precisava – e preciso até hoje – parar e com calma dar uma pensada. É para isso que serve essa noite conselheira.

Aprendi também a usar esse argumento com meu filho caçula, o Tiago. Ele tem uma capacidade de se seduzir por tudo o que aparece na sua frente. Ele realmente se apaixona. Acha que não pode viver sem aquilo, definitivamente quer. Só que não dá para comprar tudo – nem é o caso. O curioso é que a vontade dele geralmente é maior do que a mesada. O que falo para o Tiago nessas ocasiões? “Espera, calma, pensa um pouco, decide amanhã, afinal, ‘la notte porta consiglio"”. Na maioria das vezes aquela vontade desenfreada, com essa pausa, diminui. Ele chega a esquecer ou desistir. Quando a reação é contrária, pelo menos ele faz a compra com convicção. 

Patricia Broggi é jornalista e autora do livro "Falando de Grana" (Ed. Panda Books). Aprendeu economia no dia a dia, de onde tira a inspiração para sua coluna

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