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Gêmeos

Presente fora de hora: a vontade tem de ser real para poder valer a pena

Presente fora de hora: Não costumo dar presentes fora de hora. Mas quando acontece, a vontade tem que ser real

Por Majoy Antabi

Eu não costumo dar presentes para os meu filhos fora de datas importantes, como aniversários e Natal. E mesmo nessas datas, eu sou supermoderada, detesto lotar eles de coisas inúteis pra fazer volume; prefiro sempre um presente bom e de preferência que seja bem útil. Já basta a quantidade de coisas multiplicadas que eles ganham da família e de amigos!

Agora, tenho que confessar uma outra coisa pra vocês. Muitos vão me achar a pior mãe do mundo, mas vamos lá: eu sempre os deixo ver os presentes, escolherem dois no máximo e guardo todo o resto pra mais tarde, assim eles curtem cada um como se fosse o único, dão muito mais valor, e naqueles dias de chuva temos sempre uma carta na manga! Funciona super bem aqui em casa e todo mundo já entrou no esquema sem problemas.

Eis que então, lá estávamos eu e meu marido com os quatro no Free Shop, rumo às nossas férias, e nos separamos. Eu fiquei com a Raica e Marcelo ficou com o Henri, a Maia e a Laila. A Raica, minha gorda mimada, me olhou com os olhos mais doces e brilhantes do mundo, me pediu um brinquedinho, e eu não resisti. Comprei um walk talk pra ela ,sem pensar duas vezes! Shame on me!!!

Cinco minutos depois, encontro com o resto da turma e a Maia e a Laila estavam com o maior bico do mundo! Marcelo havia comprado um binóculo pro Henri! Ai ai ai... Shame on him!

Chamei ele de lado, tipo: “helloooooooooo!!! E cadê o presente fora de hora da Maia e da Laila???”  E então entendi que os olhos do Henri, assim como os da Raica, ficaram brilhando pelo desejo, que realmente eles curtiram o que pediram e deu gosto dar o presente.

A Maia entendeu que ela não queria nada naquele momento e a Laila ficou pedindo tudo e qualquer coisa apenas para ganhar um presente.

Marcelo e eu nos sentamos e explicamos a eles que toda regra tem sua exceção. Que os presentes não têm que ser multiplicados quando as vontades são individuais. No fim, a gente errou acertando.

E juntos aprendemos mais uma lição!

Maia e Laila sabem que quando a gente perceber aquele mesmo brilho nos olhos delas, será a vez de serem presenteadas! Comprar só por comprar, jamais!
 

Majoy Antabi, mãe de Raica e dos trigêmeos Henri, Maia e Laila. Cuida da casa, do marido e ainda administra o Portal Múltiplos, que ajuda mães de gêmeos. Motorista nas horas vagas e cozinheira por hobby, ainda arruma tempo para ser voluntária de uma ONG. Fale com ela: majoy.colunista@revistapaisefilhos.com.br

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