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Bernardo Alves Souza

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Comparações

Elas fazem parte da vida e muitas vezes são boas e nos estimulam a melhorar

Comparações

Sou do tipo de mãe que detesta comparar os filhos. Na escola, as professoras do meu “trio” sempre me dão parabéns pelo bom trabalho que venho fazendo.

Mas não pensem que nasci sabendo, não! Essa foi uma escolha que fiz quando soube que carregava três bebezinhos em minha barriga. Eu cresci sendo comparada com a minha irmã Jana.  Pra começar, ela tem olhos azuis e, como nossos nomes são, digamos, um tanto quanto estranhos, o povo adorava dizer “a de olhos azuis” e “a de olhos castanhos”.

Os anos se passaram e eu cresci, quase que sem traumas. Não me sinto mais feia, pior ou menos inteligente. Simplesmente aprendi que sou uma pessoa com valores, qualidades e defeitos próprios. Basicamente humana!

A comparação não necessariamente precisa ter um efeito negativo em nossas vidas. Ela faz parte do ser humano. Já nascemos comparando, aprendemos na infância por meio da comparação e nos estimulamos muitas vezes a ser pessoas melhores com ela! O problema não é o fato de compararmos, e sim o modo como e quando comparamos!

E já que uma vida sem comparações é impossível, fui conversar com a Dra Liana Kupffermann, psicoterapeuta familiar, que me explicou melhor esse processo todo! Entendi que não devemos rotulá-los com nenhum papel estático como, por exemplo, “o mais agitado e o mais calminho” ou “a mais distraída e a mais inteligente” e por aí vai. A doutora me contou também que, quando fazemos isso, geralmente o filho que recebeu o “pior” rótulo acaba seguindo a premissa e se colocando nesse papel.

Outra dica de ouro que ela nos dá é a seguinte: “Evite sempre colocar a palavra MAIS à frente dos rótulos, não diga a MAIS agitada, e sim ‘está muito agitada hoje’. Dessa forma, a criança saberá que a agitação é coisa passageira e que a comparação não vem relacionada a algum irmão”.

A Dra Liana ainda completa: “Temos que saber também a hora certa de comparar e com quem comparar. Pois quando feita de maneira correta, a comparação cria uma referência saudável na vida das crianças, relacionando elas com o mundo exterior e tirando o foco da comparação entre ela e o irmão!”

Pois é, não é fácil, não!  Temos uma responsabilidade e tanto pela frente pelo resto de nossas vidas! E com um pouquinho de esforço de nossa parte, a família e os amigos acabam entendendo que, deste modo, formaremos indivíduos únicos, que saberão seus valores, qualidades e defeitos sem precisarem de terapia. No fim, todo mundo lucra com esta sabedoria!

Majoy Antabi

Majoy Antabi

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