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Paciência
Paciência

Não adianta pedir calma para as crianças, elas querem escalar, correr, brincar, rir
Por Luiza Olivetto, mãe de Homero. Fale com ela: luizaolivetto@revistapaisefilhos.com.br
T udo tem lemite!
Quando Victoria era bem pequena, bem pequena mesmo - 2 anos de idade - ela dizia, imitando a mãe: “Tudo tem lemite!” Pra tudo que ela não concordava. E continuava dizendo: “eu passo, eu lavo, dou amor, mas tudo tem lemite”.
Hoje, Arthur, de 3 anos, me diz, me imitando: “vó, paciência!” Isso acontece quando estamos no iPad, jogando um dos tantos jogos que ele me pede pra baixar.
E a gente aproveita pra conversar sobre como é bom fazer as coisas com tranquilidade.
Um dia desses, eu, Arthur e Heitor, o menorzinho, de 2 anos, nos sentamos com as pernas cruzadas, em forma de yoga, e meditamos: ooooommmmm.
Eles ficaram bem sérios, com os olhinhos fechados, durante meio oooooommmmm. Aí Arthur abriu os olhos, me disse “tá bom” e, a essa altura, Heitor pegou de volta o carrinho de bombeiros e saiu apitando: tuuuuuuu. Finda a meditação.
O fantástico é ver/acompanhar a energia dos meus bruguelos, correndo pela casa, escapando milagrosamente das quinas, rindo, rindo, rindo, propondo outras brincadeiras, esbarrando nos móveis, tirando os tapetes do lugar, pedindo água, chocolate, fazendo as mais simples e surpreendentes questões.
A gente pede calma pras crianças. E as crianças precisam de nossa calma.
Calma, gente. Eles são pequenininhos, todos os objetos de nossas casas são bem maiores que eles.
A mesa é tão grande, e, claro, eles vão ter que escalar pra alcançar o pão.
As pessoas são tão grandes, e eles têm que pedir colo pra olhar nos olhos. Pra puxar seu rosto e ver que você ouviu bem o que ele quer: um pirulito, um carrinho ou só quer ir embora.
Eles correm mesmo. No shopping, no aeroporto, na livraria, na rua.
E a gente tem que correr atrás, rir, brincar.
Calma, eles não fazem pra te chatear, eles fazem porque têm energia, querem usar a recém-conquistada capacidade de andar como um bom bípede, caminhar, correr.
Querem subir, descer, pular, correr, andar. Eles podem agora e podem muito recentemente. Afinal, eles pouco se mexiam, depois engatinhavam e agora correm!
Calma, gente, deixa a criançada se exercitar, falar coisas, errar, querer, rir bem alto, bater com os talheres.
Eles vão cansar um dia, como a gente. É só ter calma.
Luiza Olivetto é arte-educadora, artista plástica, cenógrafa, figurinista, designer, astróloga e colabora com a revista Pais & Filhos desde 2003.


