Pais & Filhos

Bebê
Jaime Julian Mas

Seu filho também pode ser destaque aqui!

Clique e saiba como

Você está aqui: Home / Colunistas / Larissa Purvinni / Minha irmã

Minha irmã

Às vezes, para ganhar algumas coisas, é preciso perder outras

Minha irmã
Minha irmã do meio, Letícia, nasceu 1 ano e 9 meses depois de mim. Durante muito tempo, creditei ao intervalo excessivamente curto nossas eventuais dificuldades de relacionamento. Quando tive minha primeira filha, Carol, já pensava engravidar de novo. De acordo com meus planos, Duda deveria nascer só quando Carol já tivesse uns 3 anos - quando, eu achava, Carol não sofreria tanto a perda do posto de filha única.
 
Pensava em Carol como versão renovada de mim: por meio dela, teria uma oportunidade de corrigir erros cometidos por meus pais comigo. Bobagem. Duda nasceu do meu desejo por outra filha, bem mais cedo, quando Carol tinha 2 anos e 2 meses. Logo no primeiro dia, Carol veio até meu quarto ficar comigo, como sempre fazia. Mas Duda ocupava o colo, mamando. Meus olhos se encheram de lágrimas por não poder acolher minha filha mais velha. Era como se eu mesma me abandonasse, como minha mãe havia feito. Não conseguira poupar minha filha desse sofrimento.
 
Hoje, muitas crianças não passam por essa experiência, pois são filhos únicos. A escolha faz sentido num mundo em que é cada vez mais caro criar filhos. Mas não pelo fato de achar que, assim, evita-se que o filho sofra com a chegada de um irmão. Buscando curar nos filhos as tristezas que tivemos em criança, esquecemos que são outras pessoas, não uma reedição de nós mesmos. Um irmão representa muitas perdas, mas outros ganhos também.
 
Meses depois de Duda nascer, brincávamos as três no playground do prédio. A babá de uma das crianças vizinhas pegou Duda no colo e saiu de perto para dar uma volta. Carol imediatamente começou a chorar e a gritar: “Volta aqui, devolve a minha irmã”. Ela perdeu o posto de única filha, mas ganhou o de irmã mais velha. E isso faz parte da história dela. Ou melhor, delas. E da minha.
 
PS. Os melhores livros que já li sobre o tema foram Palavras, Palavrinhas e Palavrões, de Ana Maria Machado (ed. FTD), e Lá em Casa tem um Bebê – E pra que Serve?, de Guto Lins (ed. Mercuryo Jovem). 
 
Larissa Purvinni foi diretora de redação da Pais & Filhos e é apaixonada por livros
Larissa Purvinni

Larissa Purvinni

Larissa Purvinni foi diretora de redação da Pais & Filhos e é apaixonada por livros.

Comentário(s)

Enquete