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Todo mundo precisa de pai

Todo mundo precisa de pai

Com duas mães, quem vai ensinar sobre o Botafogo de Ribeirão Preto, quem vai dizer "chega de conversa, vai pro seu quarto"?

Não gosto quando dizem que crianças não precisam de pais homens, gosto menos ainda quando dizem que sem pais homens as crianças ficam melhores ainda. A principal matéria deste mês trata desse assunto, e a primeira vez que ouvi que “filhos de casais de lésbicas se tornam adolescentes mais bem estruturados psicologicamente” pensei: tá bom, devem ser super bem estruturados esses adolescentes, só que só vão sair da casa da mamãe aos 55 anos de idade! Não é?

Não gosto de mães tipo Xuxa que criam filhos dizendo não precisar de pai. Não gosto que nos tratem como machos reprodutores. Mulher que faz isso é porque não consegue se relacionar bem com homem. Criança, adolescente e até adulto precisa de pai. Eu preciso de pai, da sua figura, daquilo que ele representa.

Sem pai quem é que vai comprar a bicicleta? O videogame? Quem vai jogar na piscina e quem vai arrancar o dente de leite? Quem vai dizer "chega de conversa", "vai pro seu quarto"? Quem vai ensinar a dirigir e a arrotar? Quem vai espantar o bicho-papão, ensinar o que realmente é um carro, o Batman, o Botafogo de Ribeirão Preto e a lei do impedimento?

E cá entre nós, quem quer filhos equilibrados? Tem quem queira, eu prefiro os meus um pouco fora de prumo, ficam mais criativos. Claro, eu sei, não vamos criar delinquentes, por óbvio. Mas essa coisa equilibradinha que dorme de pijama com camisa de botão... Não quero, não. Europeus e Estadunidenses, que é de onde veio essa pesquisa, adoram gente equilibrada, dá menos trabalho, obedece mais facilmente, trabalha melhor e não pede aumento de salário.

Sempre que ouço coisas do tipo dessa pesquisa, fico pensando como seria o mundo se todos vivessem assim, sociedades de mães, bancos de esperma e adolescentes equilibrados. Eu sei, eu sei, é só uma pesquisa, foi só um estudo, mas que manda uma mensagem muito perigosa. Não tenho nada contra lésbicas criarem filhos, nada mesmo. Tenho contra dizerem que sem a gente, nós, pais, é melhor. Espera só um pouco, pai é bom e eu gosto. Viver sem pai é ruim.

Sabe o que é sentir falta do mar sem nunca ter pisado na areia da praia? Viver sem pai dá isso, fica um vazio, maior que o vazio normal que já vem conosco de fábrica.

Uma ressalva, pai bom é aquele que está perto. Que está presente na vida da criança. Se for pai ausente, talvez seja melhor duas mães mesmo. O difícil vai ser chegar a hora de parar de discutir a relação pra todos poderem ir dormir. Sorria!


André Mantovani, é casado com a Renata, pai de Antonio, Maria e Pedro, economista e mestre em semiótica, já foi garçom e presidente de empresa e hoje em dia anda bem mais tranquilo.
Fale com ele: andremantovani@revistapaisefilhos.com.br

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