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Pingos nos is
Os homens são de marketing e as mulheres são de vendas; a emoção é a saída

Os homens são de marketing e as mulheres são de vendas: com criança, o jeito é apelar para a emoção, e não argumentar muito
Por André Mantovani
Lembra daquele livro: Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus? Pois é, eu acho que uma proposta melhor seria: Os Homens são de Marketing e as Mulheres são de Vendas. Que tal?
Explico. Sempre que reparo em mulheres conversando com seus filhos sobre algo que eles não querem fazer, tipo cortar o cabelo, comer feijão ou desligar a TV, noto que sempre utilizam argumentos, dão motivos pelos quais aquilo deve ser feito, tipo: você vai ficar mais bonito, “não vou, não” pensa a criança, faz bem pra você, “não faz, não, o gosto disso é horrível”, você já está aí faz muito tempo, “não faz, não, nem comecei a enjoar.” E assim por diante. Nunca vi uma criança dizer: “Ah mamãe, não é que você tem razão?! Vou começar a comer muito feijão de agora em diante!”
Parece aquele momento quando entramos numa concessionária e o vendedor de carros vem nos elucidar sobre as maravilhosas qualidades do veículo em exposição: o carro consome pouco combustível, a revisão é baratíssima, tem muitos acessórios, o seguro então! Ou seja, argumentos, argumentos, argumentos.
Esse tipo de argumentação sobre as qualidades e características positivas das coisas ou situações parece não funcionar muito bem com alguém que tem um ponto de vista exatamente oposto, ou seja, a criança. Como essa argumentação geralmente não funciona, as mães partem pra pressão. “Você vai parar com isso ou não? Você quer ficar de castigo? Você quer que eu chame seu pai?” E a criança lá pensando... “Não, não, não. Por que será que a mamãe me pergunta tanta coisa tão óbvia, ela já não sabe que a resposta é NÃO?”.
Sem perceber, quando fazem essas perguntas, as mães transferem o poder de decisão para os filhos. Não vai funcionar. Em vendas, quem decide é o comprador; em casa, não. Pra ser bem honesto, já vi muito pai cometendo esse mesmo equívoco, mas o cara devia ser de vendas.
O negócio é ser marketeiro e apelar para a emoção. Come feijão ou não tem sobremesa. Vamos cortar o cabelo que assim você está parecendo uma menina (ou um jogador de futebol argentino... essa ofende). Deixa que eu mesmo desligo a TV (com cara de bravo). E assim por diante. Pense num comercial de rádio de 10 segundos, tipo: “Não gosta de feijão é? Eu também faço muitas coisas que eu não gosto, a vida é assim, tem coisa boa e ruim. Come o feijão.” Até a próxima.
André Mantovani é pai de Antônio, Maria e Pedro r casado com a Renata. Economista e mestre em semiótica, já foi garçom e presidente de empresa e hoje em dia anda bem mais tranquilo. Fale com ele: andremantovani@revistapaisefilhos.com.br


