Pais & Filhos

Bebê
Letícia Melo Soares

Seu filho também pode ser destaque aqui!

Clique e saiba como

Você está aqui: Home / Colunistas / André Mantovani / Internet e criança não combinam

Internet e criança não combinam

Internet e criança não combinam

Precisa ter maturidade para usá-la. Enquanto isso, que nossas crianças continuem brincando de carrinho

Não é pelo fato de que seu filho acessa a internet que ele é mais inteligente, mais avançado ou mais conectado. Às vezes penso que é exatamente ao contrário.

Sua liberdade online restringe-se a um “navegar sobre trilhos”, saltando de intersecção em intersecção, mas sempre limitado ao que os programas têm para oferecer. O que a web proporciona e causa confusão é uma oferta quase infinita de intersecções e essa enorme oferta mascara o fato de não termos escolha. Em outras palavras, seu filho pode escolher “ir” para qualquer lugar no universo da internet, ele só não escolhe o que vai acontecer uma vez que ele chegue lá, pois, via de regra, alguém já organizou aquele espaço no qual ele acabou de se inserir e as regras estão dadas pelo criador do programa.

OK, na internet você pode “curtir” ou “pesquisar” ou “comentar” ou “enviar seu vídeo” ou até mesmo ter seu próprio blog e dizer o que quiser. Mas na prática, sendo bem realista mesmo, tudo isso que você faz importa muito pouco perto do que o Google, o Facebook, o Twitter e a Microsoft conseguem fazer. Ou seja, você e seus filhos se comunicam, navegam e aprendem dentro dos parâmetros e das arquiteturas de software criadas por essas grandes empresas.

E qual o motivo dessa minha conversa toda? Explico.

O tema da festa da filha de 7 anos de uma amiga minha era cachorrinhos. Como a filha estuda numa escola bilíngue e fala inglês, pesquisou no Google: “dogs and girls”. Se você tiver curiosidade para ver o que uma menina de 7 anos viu ao pesquisar "dogs and girls" e for fazer a mesma pesquisa, faça sem seus filhos ao redor, não vai ser bonitinho... Dá nojo.

Meu ponto é esse. Uma pesquisa na internet nos leva para as páginas que, segundo o critério e os algoritmos do Google, tem mais relevância. Muito bem, quer dizer que quem escolhe o que é relevante para mim é o Google? Tá bom, você vai dizer que estou exagerando. Mas na prática é isso, o Google escolhe o que é relevante e eu que me vire em achar o que é de verdade relevante. O Google vai pela maioria e acaba criando, lá no final das contas, uma diversidade de perspectivas muito pequena e, portanto, muito perigosa.

Não sou contra a internet. Sou contra pais que acham que tudo bem e que é muito bom o filho navegar por aí, ter conta no Facebook com 8 anos e computador no quarto. Internet exige discernimento, maturidade para separar o que importa daquilo que não importa, e nossos pequenos não sabem fazer isso. Que bom! Que eles possam brincar de carrinho!

André Mantovani, pai de Antônio, Maria e Pedro, é casado com a Renata. Economista e mestre em semiótica, já foi garçom e presidente de empresa e hoje em dia anda bem mais tranquilo
Fale com ele: andremantovani@revistapaisefilhos.com.br

Comentário(s)

Enquete