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Calma nada!

Calma nada!

É preciso ter calma para conversar com seus filhos, para enxergar o que está acontecendo, mas não ter aquela calma parada, inerte

Por André Mantovani
Fale com ele: andremantovani@revistapaisefilhos.com.br

Pois é, vamos lá. Talvez esta coluna incomode um pouco. Fiquei pensando nesta história de "calma, que tudo vai dar certo" e acho uma ideia complicada e talvez perigosa. Complicada, pois não acredito em determinismos, ao contrário, acredito em ação. Pode até ser uma ação tomada de forma muito calma. Mas essa coisa de que "com o andar da carroça as melancias se ajeitam" é coisa pra melancia.

Minha filha teve meningite viral aos 6 meses de idade, nosso pediatra percebeu uma rigidez no pescoço e nos mandou ir ao hospital na mesma hora. Ela sarou e não teve qualquer sequela, era um vírus. Ainda bem.

Mas que calma que nada, tem hora que é pra sair correndo mesmo, principalmente quando o processo é lento. Seu filho chupa o dedo ou chupeta já grandinho? Come mais do que deveria? Anda introspectivo e meio triste? Acho bom você ficar calma, bem calma e olhar bem para o que está acontecendo. Não podemos confundir calma com ausência, nem ausência com nossa dificuldade em lidar com falhas de nossos filhos. Temos sim é que ter calma para lidarmos com essas questões, mas temos que lidar, pois a tendência é que elas fiquem cada vez pior.

Agora... Tem um casal que conheço que dava banho no filho só com água mineral! É isso mesmo! Aí já não é lidar com as questões da criança, é quase um estado lobotomizado de consciência, não? É o caso de lidar com as questões dos pais mesmo.

O que estou querendo dizer, vocês já entenderam. A molecada precisa de olho no olho e não de presente de pais culpados. Ontem à noite, minha filha que teve meningite passava a mão no meu rosto enquanto eu a segurava no colo e me perguntava onde eu estava indo, pois já era noite. Eu respondi que ia a um jantar encontrar com pessoas que eu trabalhava. Ela, que continuava passando a mão no meu rosto, disse que eu tinha mudado, que eu não fazia essas coisas antes. Respondi que era só uma fase, mas que nas próximas noites estaria em casa com ela. Acho que ela topou. Tenha calma para conversar com seus filhos, mas converse, as coisas não tendem a melhorar no vazio.

André Mantovani, pai de Antônio, Maria e Pedro, é casado com a Renata. Economista e mestre em semiótica, já foi garçom e presidente de empresa e hoje em dia anda bem mais tranquilo

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