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Presente de formatura

Padrastos e madrastas também merecem os agradecimentos!

Padrastos e madrastas também merecem os agradecimentos!

Por Adriana Salles

No último mês de dezembro, minha enteada se formou. Agora ela é uma Comunicóloga formada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing. A minha sensação é ao mesmo tempo muito boa e saudosa. Fui levada àquela nostalgia comum entre os pais: fico me lembrando de todos os anos de caminhada com ela até chegar aqui. Escola, trabalhos, provas, boletins, reuniões com professores e todas as formaturas dela que já fomos desde o fundamental um até agora.

A primeira festa, o primeiro namorado, a festa de 15 anos, as reclamações da adolescência, o primeiro sutiã, engordou, emagreceu, foi morar fora, voltou, as viagens, as risadas, os choros, as bravezas... Muitas recordações que me completam - como mulher e como pessoa.

Mas eu devo dizer que ela não é minha filha. Ela é minha enteada. Então, nessas lembranças estão incluídas o dia em que nos conhecemos, o dia em que contamos que eu e o pai dela iríamos nos casar, a adaptação de morarmos juntas. Aos poucos e ao longo dos anos nós fomos nos conquistando, nos gostando, aprendendo nesta relação.

Eu fui aprendendo a ser madrasta e ela foi aprendendo a ser enteada.

E hoje eu a sinto como minha filha! Sinto-me responsável pelo caminho dela, pela forma que foi educada, pelas conquistas e pelas derrotas. E fico feliz de vê-la independente, realizada e terminando este ciclo da vida.

Especialmente gostaria de agradecer ao Sr. Pedro de Santi, professor de psicologia para a turma de Comunicação da ESPM. Este senhor, que nem me conhece, me atingiu de forma especial.

Ele foi o paraninfo da turma dela e, em seu discurso, em meio a tantos outros discursos que fizeram parte da cerimônia, foi o único que se lembrou de agradecer a pais, mães, padrastos e madrastas de todos os formandos ali presentes. É isso aí, ele me incluiu.

Nessas datas, as pessoas citam os pais e as mães. Nós, as madrastas, às vezes ficamos com aquele sorriso amarelo quando alguém pergunta “você é a mãe dela?” e aí lá vem a explicação “não, sou a madrasta”. E então a pergunta clássica: “vocês se dão bem?”

Então aí vai: sou a madrasta, feliz e contente, e nos damos bem, sim. Bem, às vezes não, mas faz parte! Estou orgulhosa e feliz!
 

Adriana Salles é administradora de empresas e sócia-diretora da Assessoria Esportiva Projeto Mulher (www.projetomulher.com.br)

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