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Um mês, um dia feliz

Saiba como é a rotina em uma UTI neonatal

Um mês, um dia feliz

Por Amanda Pinheiro, mãe de Francisco e Antonio*.

Cada dia nesta longa caminhada é único e importante. Mas o dia 24 de novembro de 2011 foi especialmente feliz.  Manuela vestiu uma roupinha – macacão vermelho e laço de fita da mesma cor, colado na cabecinha redonda e praticamente careca – pela primeira vez. Até então, havia passado seus poucos dias de vida usando apenas fraldas descartáveis próprias para recém-nascidos, tão grandes que mais pareciam modelos “tomara que caia”.   Manuela também já não precisava mais de agulhas e aparelhos de respiração artificial que a mantiveram viva nos 30 dias anteriores, desde que veio ao mundo. Um exame feito pela manhã confirmou que seu cérebro estava 100%, apesar de tudo o que ela tinha passado. A partir dali, nas palavras da médica responsável pela UTI neonatal, era “uma bebê prematura normal” como pelo menos a metade dos pequenos companheiros da sala 5, do Hospital São Luiz, em São Paulo.  Os dias de risco extremo haviam ficado para trás e agora Manuela, que ao alcançar a gloriosa marca dos 1,310kg, precisava apenas ganhar peso, uma das condições para, finalmente, conhecer sua casa e seu quarto cor-de-rosa, decorado especialmente para sua chegada.

217 dias

A gestação de Manuela foi normal até a 27ª semana.  A mãe, a administradora de empresas Camila Pinheiro, de 35 anos, manteve a rotina, os compromissos de trabalho, os encontros com os amigos, as viagens para visitar a família no Rio de Janeiro. Não descuidou do pré-natal e nem enjoo sentiu. O único porém era o inchaço, principalmente nas pernas e nas mãos, o que  fez a obstetra, desconfiada, encaminhá-la a um cardiologista numa tarde de quarta-feira.  Na consulta, Camila ficou sabendo: os edemas e a pressão de 16 por 10 indicavam que ela tinha feito um quadro de pré-eclâmpsia, conhecida como “hipertensão das grávidas”. Naquele momento, tinha sido inserida no grupo de 10% das gestantes que desenvolvem a doença e o prognóstico era amedrontador.  Mesmo que seguisse à risca as ordens médicas de repouso e nenhum sal na alimentação, ainda assim, poderia ter complicações. Ela e a bebê. Na melhor das hipóteses, um parto prematuro.

E foi o que aconteceu. Manuela seria o presente de Natal da família. Primeira filha, primeira sobrinha, primeira neta por um dos lados. Uma menina, enfim, em uma família na qual praticamente só chegavam homens. Estava prevista para nascer entre o aniversário da mamãe, em 23 de dezembro, e o dia 25. Mas em uma madrugada do fim de outubro, uma dor de cabeça estranha levou Camila para o hospital.  A previsão era ficar internada para monitorar seu estado geral e manter a gestação o maior tempo possível. Dentro da barriga, no entanto, Manuela já dava sinais de que ali não poderia ficar, não crescia nem engordava. Em 3 dias, o organismo de Camila absorveu praticamente todo líquido amniótico que mantinha a pequena Manu ainda saudável em seu corpo e aí não teve jeito. Foram 217 dias e nenhum a mais. No fim da tarde de segunda-feira, 24 de outubro, Camila avisou à família no Rio por telefone: a apressada Manuela iria chegar naquela noite, numa cirurgia de cesariana, às 31 semanas de gestação.

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